
Para ser honesto, não fui ao The Dam Club por causa da cerveja. Outro dia visitei este pequeno restaurante de beira de estrada a aproximadamente uma milha ao sul de Orr, Minnesota, simplesmente porque estava com fome. A comida era normal e gostosa, mas o que me surpreendeu foi a escolha da cerveja. A proprietária ofereceu vários rótulos de diferentes cervejarias: três cervejas nacionais e uma regional artesanal, Summit Extra Pale Ale, em barril.
Isso é o mais próximo da cultura cervejeira que você pode chegar neste tipo de estabelecimento. É claro que há vários aspectos a serem considerados ao tentar definir o que é cultura cervejeira – e muitos dos meus amigos europeus concordariam que não há, de forma alguma, cultura cervejeira no The Dam, já que a Summit Ale foi servida em um copo de vidro da Coors de 16oz.*
Tudo bem. Eles têm uma questão: cerveja deveria ser servida em seus respectivos copos. Os cervejeiros europeus gastam muito dinheiro com copos apropriados. Por outro lado, você deve notar que freqüentemente a escolha do desenho é feita por pessoas que têm pouco conhecimento a respeito do produto e acabam escondendo qualidades que poderiam ser reveladas otimizando os formatos dos copos. Marketing dirigido de desenho de copos é legal para olhar – mas isso raramente faz a cerveja melhor. Em muitos casos, copos neutros aumentariam a experiência de degustar se fosse apenas feito em um formato que se adequasse ao estilo.
Além do mais, é a bebida que conta – e não o que está impresso no copo. Em defesa do The Dam eu tenho que dizer: a pint de 16oz era suficiente para a Extra Pale Ale mesmo que ela tivesse o nome impresso errado. E a temperatura - gelada, mas não super gelada – estava correta também. Este é um fator importante que, em relação ao padrão de cultura cervejeira em alguns lugares, pode ser avaliado. O proprietário que serve sua cerveja muito gelada mostra desrespeito ao produto ou tenta esconder atributos negativos que poderiam ser resultado da sofrível limpeza de sua chopeira. Ou ambos.
O que pode ser mais importante para definir o padrão de cultura cervejeira é a escolha de uma cerveja que um consumidor pode encontrar em dado lugar. Nas muitas viagens fora da Europa, tenho ouvido apenas o quanto as pessoas admiram a cultura cervejeira que encontram em algumas partes do mundo, especialmente na Alemanha. As pessoas ficam instigadas com a experiência da Kölsch-Brauhaus na Colônia, da Bierkeller na Francônia, da Pils Bar em Berlim e a biergarten em algum lugar ao redor de Munique. Sem dúvida, alguns desses lugares têm uma contribuição única, não apenas pelo reconhecimento pessoal que o consumidor pode manter nos melhores “pés sujos” que já visitou – muitos deles são também as grandes referências da herança do mundo da cerveja.
Mas esta herança está sob ameaças. Há centenas de biergartens da Bavaria que servem apenas dois estilos diferentes de cerveja: Helles e Hefeweizen – e há regiões onde o consumidor médio pode encontrar apenas essas duas cervejas de uma única cervejaria. Em uma cidade do tamanho de Colônia deve haver centenas de bares que servem a Kölsch local (de meia dúzia de cervejarias, mas todas muito parecidas) – o que é ótimo. Mas se você procura diversidade, a melhor aposta é ir a um dos três pubs irlandeses da cidade. Mesmo nessas cidades que tornaram a cultura cervejeira alemã famosa, você pode desejar encontrar de vez enquando um lugar como The Dam.
*16oz equivale a aproximadamente 470ml