

Harmonizamos os dois "queridinhos" do Brasil, mas de uma maneira inusitada e especial para mostrar que churrasco não
é sempre igual e a cerveja muito menos.
Cerveja e churrasco. Essa é a combinação perfeita quando se pensa em reunir os amigos e desfrutar de uma bela tarde de sol. Churrasco todo mundo sabe fazer e cerveja todo mundo sabe beber. Mas será que não está na hora de sair do senso comum e experimentar sabores e texturas diferentes?
O típico sábado ensolarado foi ideal para celebrar o dia nacional do churrasco. No entanto, esse bom e velho companheiro ganhou toques especiais. Preparado pelo Chef Caio Ferrari do Francescola Bistrô, a entrada foi lingüiça de javali, uma carne mais forte, saborosa e com baixo teor de gordura. Já o prato principal ficou por conta de um pernil de cordeiro temperado com ervas e marinado em uma das cervejas da degustação: Waterloo 8. A característica principal da carne de cordeiro é o sabor mais adocicado. De textura rija, possui baixos níveis de gordura e colesterol.
Para acompanhar as carnes exóticas, Chef Caio optou por acompanhamentos suaves como cebola assada, berinjela e abobrinha grelhadas, salada de folhas, mandioquinha e para finalizar, banana verde assada com canela.
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O preparo
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A degustação Parte I - A entrada
A cerveja escolhida para ser a primeira da harmonização foi a brasileira Colorado Indica – Estilo India Pale Ale (teor alcoólico:7,0%).
A cerveja apresenta notas aromáticas de caramelo e vertentes cítricas e herbais de lúpulo, além de toques mais frutados. Quando combinados, nota-se que a cerveja tem estrutura para segurar a potência da lingüiça. O elemento inusitado neste caso é a doçura – a lingüiça é ligeiramente amarga e a combinação traz o contraste entre amargor e doçura.
Segunda rodada: a alemã Schlenkerla – estilo Rauch (teor alcoólico 5,1%). É uma cerveja intensa, com aroma defumado bastante pronunciado – Cilene lembra que esta é uma característica de personalidade deste estilo de cerveja. O elemento defumado, lembrando bacon, tem tudo a ver com churrasco. Carnes em geral, e particularmente a lingüiça de javali, recebem bem o elemento defumado porque é algo que faz parte da natureza delas. Com este rótulo, a harmonização se dá por semelhança. Cilene comenta que este toque defumado “abraça” a carne. “A cerveja dá o corpo que faltava para o sabor da carne”, diz Roberto. A combinação casou muito bem.
A degustação Parte II - O prato principal
A primeira cerveja a ser degustada foi a brasileira Eisenbahn Dunkel de estilo homônimo (teor alcoólico 4,8%).
Dentre as principais características, destacam-se as notas marcantes de grãos de malte tostados, lembrando café e chocolate. É uma cerveja medianamente encorpada, com grande refrescância e baixa intensidade de amargor, ainda que apresente certa adstringência herdada dos grãos tostados. Roberto explica que se tomada sozinha, não é possível percebê-lo, mas uma vez combinada com o cordeiro, o sabor é destacado. Ambas carne e cerveja brincam enaltecendo qualidades. “A carne de cordeiro não é tão gordurosa e a cerveja tampouco tem tanta força”, diz Roberto, “O casamento foi muito bom”.
Próxima cerveja: Jenlain Ambrée – Estilo Biere de Garde (teor alcoólico: 7,5%)
As principais características desta cerveja são notas frutadas que lembram ameixa, frutas mais maduras, mais doces. No início, há um adocicado inicial forte e depois aparecem frutas secas. “Esta foi a cerveja mais doce apresentada na degustação”, comenta Roberto. Cilene diz que geralmente as cervejas mais alcoólicas não têm doçura suficiente para equilibrar essa força e deixá-la menos agressiva. No caso da Jenlain, o sabor puxa muito para o adocicado, mas o elevado teor alcoólico proporciona um bom equilíbrio. Funcionou bem com a carne de cordeiro, principalmente quando há elementos mais molhados e condimentados e a carne mais tenra. Uma sugestão apontada por Cilene e por Roberto é combinar molho de hortelã ao prato. Quando harmonizado com a Jeinlan o resultado é ainda melhor.
Última, mas não menos importante: a belga Waterloo 8 – Estilo Dark Strong Ale (teor alcoólico: 8,5%).
As características mais pronunciadas desta cerveja são as notas frutadas, lembrando frutas em compotas especialmente ameixas, e o alto residual de doçura que em bom tom equilibra a grande força alcoólica. É possível perceber no final da boca notas de caramelo, açúcar queimado e especiarias.
Ao ser harmonizada com a carne de cordeiro, a Waterloo 8 funciona muito bem. Os tons adocicados da carne e da cerveja formam uma combinação interessante. “O sabor ficou diferente”, diz Roberto. Caio sugere experimentar o cordeiro com a cebola assada e a Waterloo 8. “A acidez da cebola da um toque especial”. Cilene lembra que esta é uma variação de cerveja com teor alcoólico alto e é indicada para ser consumida com muita moderação.
No final desta harmonização cabe a você decidir qual das combinações é a sua preferida. Reúna os amigos e aproveite as nossas dicas para fazer do seu churrasco um grande sucesso.
A equipe Beer Life agradece a Jorge e Fernanda Moura, que gentilmente cederam sua casa para que nossa matéria fosse feita.
Fotos de Edu Moraes
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Receita de churrasco (para 10 pessoas):
Entrada:
3 kg de lingia de javali
Prato principal:
3 kg de pernil de cordeiro (3 pernis de 1 Kg cada)
Temperos:
Um maço de salsinha
Um maço de cebolinha
Uma cabeça de alho
250 ml de azeite (para cada pernil)
Primeiro pique a cebolinha, a salsinha e o alho.
Tempere o pernil com as ervas maceradas e espete alguns pedaços de alho dentro da peça de carne. Regue com os 250 ml de azeite.
Deixe descansando por 24 horas. Por último adicionar a cerveja (neste caso a cerveja usada foi a belga Waterloo 8). Deixar por mais 24 horas. Envolver o pernil em papel laminado e colocar para assar.
Cebola: assar a cebola e depois adicionar sal e azeite.
Abobrinha e berinjela: grelhar esses legumes e depois adicionar sal e azeite.
Banana verde: assar na casca com canela.