
O III Concurso de Cervejas Artesanais promovido pelas ACerVas e realizado em Contagem – MG no dia 30 de agosto foi sucesso de público. A repercussão foi tão grande que a projeção para o evento de São Paulo em 2009 é a mais otimista possível. Na edição anterior, BeerLife citou os nomes dos ganhadores das três categorias avaliadas no concurso: IPA, Weizen e Belgian Strong Ale. Desta vez trouxemos, além dos nomes, mas um pouco mais sobre os primeiros colocados em cada categoria.
Categoria IPA
Edigyl Pupo – Imbituva, Paraná.
O engenheiro agrônomo Edigyl Pupo é um exemplo de que uma grande experiência não é requisito fundamental para fabricar boa cerveja. Investindo neste ramo há apenas um ano, ele levou o primeiro lugar da categoria IPA no III Concurso de Cervejas Artesanais, com a cerveja A Poderosa. “Além disso, sempre fui um apreciador do pão líquido”, diz.
Edigyl conta que há cerca de um ano quando deu início a sua produção de cervejas algo inesperado aconteceu em sua vida: “Sofri um acidente e tive que ficar 90 dias sem andar. Só as minhas visitas degustaram e aprovaram a minha cerveja”, conta. Neste meio tempo começou a pesquisar a fundo esse “assunto delicioso”, como ele costuma definir o tema pelo qual tem paixão. “Tinha tempo de sobra para isso”, diverte-se.
De lá para cá não parou mais. Dentre os estilos que já fizeram parte de seu portifólio enquanto homebrewer ele cita IPA, Rauchbier, Golden Ale, Kolsch, Porter, Stout, entre outras. Ressalta que fabrica seus produtos sempre respeitando os estilos e que prefere utilizar malte em grãos a extratos, “considero mais charmoso”, revela.
O homebrewer acredita que a criação das ACerVas foi um passo importante para o crescimento e fortalecimento das cervejas artesanais. Ainda que devagar, ele diz que hoje esta havendo um “despertar” para um paladar mais exigente e que esse é um momento maravilhoso, praticamente impensado há alguns anos no Brasil.
Categoria Weizen
Marco Málaga e Marcelo Gil – Santa Fé – Argentina
A dupla de argentinos veio direto de Santa Fé, província do centro-leste da Argentina, para Contagem, Minas Gerais, com a finalidade de participar o IIIIIIIII Concurso de Cervejas Artesanais. Campeões na categoria Weizen, a cerveja premiada leva o nome de Guadalupe, nome do bairro da cidade de Santa Fé onde os amigos fabricam a cerveja caseira.
Málaga é mestre cervejeiro da cervejaria Anheuser-Busch há 10 anos. No entanto, a paixão por cervejas começou bem antes disso. “Fabrico cerveja há 16 anos”, diz ele. Málaga conta que desde a adolescência sempre sentiu uma atração especial pela bebida, especialmente por sua história e por sua influência nas sociedades antigas e modernas.
Alguns anos mais tarde começou a se interessar pela parte artística e científica da produção de cervejas. Desde então não parou mais. Da mesma maneira, o amigo e sócio Marcelo Gil diz que o interesse pela bebida vem dos tempos da adolescência. “Desde a primeira vez que saí, na adolescência, o motivo não foi outro: cerveja”, brinca ele. Reforça que em Santa Fé a tradição cervejeira é bastante forte e que esse fato o inspirou na fabricação de cervejas.
Ambos dizem que são homebrewers por hobby e que a cerveja caseira que produzem é para ser degustada com os amigos, sem pretensões comerciais. O ousado objetivo dos sócios é elaborar todos os tipos de cervejas conhecidos no mundo. Até hoje já fabricaram 25 e pretendem chegar a 120. Málaga diz que seguem processos de elaboração tradicionais, mas sem deixar de lado os avanços da ciência cervejeira. Diz que suas cervejas são autênticas a cada estilo e que antes de elaborá-las, procuram investigar a história e as características de cada uma a fim de conseguirem os ingredientes necessários e garantirem qualidade.
Quanto ao mercado cervejeiro argentino, diz que a indústria artesanal ainda está na infância, mas que a cada ano é perceptível o aumento nas vendas de cervejas Premium. Considera que o mais importante é que a qualidade e a consistência das cervejas tidas como Premium melhorem. Toca neste assunto porque diz que grande parte das cervejas especiais vendidas na Argentina deixa muito a desejar. Málaga aponta que isso tem uma implicação negativa no mercado uma vez que os consumidores sentem-se desanimados a consumirem cervejas de baixa qualidade. Reforça que é necessário muita prática e competência.
Categoria Belgian
Raphael Tornera – Florianópolis – SC
Raphael Tonera, técnico em eletrônica e estudante de engenharia civil, começou a produzir cerveja caseira há três anos. Tem como sócio, seu pai, uma espécie de “sócio investidor”, como ele prefere dizer. Por causa de sua formação acadêmica, Tonera e seu pai não fabricam apenas cervejas, mas também os equipamentos necessários para a fabricação delas. “Outra parte interessante de fazer cerveja em casa”.
Diz que sempre gostou muito de cervejas e um dia um colega lhe deu um livro sobre como fabricar a bebida em casa. Foi o incentivo que faltava. Começou então a estudar e a pesquisar sobre o assunto e a trocar informações com outros cervejeiros. “Até certa época de minha vida só conhecia as cervejas comerciais vendidas em supermercados, mas sempre achando que elas poderiam ter mais sabor e aroma.” Foi quando tomou a primeira cerveja especial, uma de trigo. Tonera conta que a experiência o fez muito bem. “Achei aquela cerveja de outro mundo”, relembra.
Após muita procura, achou a tal cerveja de trigo na padaria de um amigo que sempre trazia “novidades”. Tornera, por sua vez, procurava experimentar todas. “Foi um caminho sem volta”.
Hoje considera este como um “hobby levado a sério”, já que é um trabalho que demanda tempo, pesquisa, muito interesse e é claro, degustações em busca de novos sabores, aromas e recriação de estilos. Quanto a estes, diz que já fabricou 15 diferentes como: Pilsen, Stout, Porter, entre outras. Reforça que cada um tem suas características e peculiaridades e que em todas as suas cervejas ele tenta ser o mais fiel possível.
Tornera diz que esta segmentação de mercado trouxe às pessoas novas opções de cervejas não só em marcas, mas em tipos. “Com esta conquista de espaço, é possível trazer mais pessoas a conhecer este mundo novo e abrir espaço para criação de novas cervejas e cervejarias”, diz ele.
Por exemplos como esses é possível observar que os homebrewers estão empenhados e cada vez mais entusiasmados com a produção artesanal. O incentivo é cada vez maior e o mercado, cada vez mais favorável. As projeções para o futuro são grandes e arrojadas. Mas se depender desses pequenos produtores, a “ciência da cerveja” tem tudo para dar certo.