

O II Concurso Mestre Cervejeiro Eisenbahn foi realizado no fim de 2008, no Bar Anhanguera, “um dos bares que mais dá ênfase às cervejas artesanais” – segundo o ex-proprietário da Eisenbahn, Juliano Mendes.
Foram inscritas 35 cervejas, das quais 27 foram enviadas e analisadas pelos jurados. Nesta edição, as inscrições foram restritas às cervejas de estilo Robust Porter – cerveja escura e bastante lupulada. As cervejas foram analisadas por mestres cervejeiros, jornalistas especializados e apreciadores. Os jurados, divididos em quatro grupos, analisaram sete cervejas. Cada grupo escolheu as duas melhores, restando apenas oito, que foram avaliadas novamente para que se definissem as seis finalistas.
A cerimônia de premiação foi realizada no dia 11 de dezembro, novamente no Anhanguera, e premiou a ‘Joinville Porter’, cerveja produzida pelos primos Ivan Steinbach e Diogo Züge, de Joinville.
Para Ivan Steinbach, foi uma emoção muito grande ganhar o Concurso Mestre Cervejeiro Eisenbahn, pois começaram a produzir cerveja em casa justamente por causa da marca Eisenbahn. “Quando vimos que as cervejas deles eram muito melhores do que as que comumente encontrávamos nos mercados, decidimos pesquisar se era possível fazer uma cerveja diferente em casa. Acabamos encontrando algumas informações e decidimos tentar”, conta Ivan. Segundo ele, o maior incentivo veio com a criação do I Concurso Mestre Cervejeiro e a idéia de ter sua cerveja produzida pela cervejaria que mais gostam.
Criado em 2007, o Concurso Mestre Cervejeiro Eisenbahn tem como objetivo descobrir produtores e cervejas caseiras. Na primeira edição do concurso a cerveja ‘descoberta’ foi a Dama do Lago, de Leonardo Botto, uma Belgian Dark Strong Ale.
Diogo, o outro produtor da cerveja vencedora, diz que é inexplicável a sensação de ganhar um prêmio da Eisenbahn. “Estou sem palavras. A emoção é muito grande. Esperávamos estar entre os seis primeiros, mas não imaginávamos ser o primeiro”.
O ladolado incentivador
O ex-proprietário da Eisenbahn, Juliano Mendes, também ficou muito feliz que Ivan e Diogo tenham ganhado o concurso. “Eles sempre acompanharam a Eisenbahn. Sempre mandavam e-mails e avisavam quando encontravam algo errado. Foram e são incentivadores e apreciadores da Eisenbahn”, conta Juliano.
Essa foi a primeira vez que os vencedores produziram o estilo Robust Porter. “Quando a Eisenbahn propôs, encaramos como um desafio, até por não conhecer. Fomos estudar e produzimos uma cerveja especialmente para o concurso. Coincidentemente, nossa cerveja era o número sete no concurso e essa é a nossa sétima cerveja”, conta Ivan entusiasmado.
Outra coincidência é que todos os finalistas produziram a Robust Porter pela primeira vez assim que a Eisenbahn divulgou as regras do concurso. Edigyl Pupo diz que a cerveja que trouxe para o concurso foi sua primeira Porter. Ele nunca tinha nem provado uma cerveja desse estilo. “Fui provar e buscar as características devido ao concurso. Fiz uma, deixei um bom tempo maturando, achei que estava legal e não fiz outra receita. Mandei a primeira mesmo”, confessa Edigyl.
Márcio Motta é outro que nunca tinha nem experimentado uma Porter. “Na verdade, não gostava muito de cerveja até ir morar na Europa, onde pude experimentar cervejas de qualidade infinitamente superior. Quando voltei ao Brasil, comecei minha busca por cervejas com personalidade e descobri a excelente opção das artesanais”, diz.
Vítor Luis Pauda da Silva também nunca tinha produzido uma Robust Porter, embora já estivesse nos planos dele e dos amigos. “O sonho apenas foi adiantado em virtude do interesse em participar do concurso”, conta. A receita que ficou entre as seis finalistas terá nova produção em breve, pois o lote do concurso já acabou e a demanda continua.
A recompensa de um sonho
Outro dos seis finalistas, Luis Antônio Teixeira cresceu em meio ao universo de cervejas, já que seu avô era auxiliar de mestre cervejeiro. Produtor de cerveja há 12 anos, ele conta que, quando começou a produzir, era difícil encontrar matéria-prima. Para ele, o concurso da Eisenbahn é um dos mais importantes do Brasil. “Uma grande cervejaria como a Eisenbahn produzir uma fórmula que é sua traz satisfação e o reconhecimento de que você está entre os melhores cervejeiros”, diz Luis.
O objetivo principal do concurso é difundir o mercado. “O cervejeiro caseiro faz cerveja em casa e distribui para os amigos. Eles começam a difundir a cerveja e a criar novos consumidores para as cervejas especiais. A idéia é desenvolver ainda mais o mercado, dando um incentivo maior a esses produtores”, informa Juliano.
O vencedor ganha uma viagem à fábrica da Eisenbahn, em Blumenau, e vai produzir sua cerveja junto com o mestre cervejeiro da empresa. Serão engarrafados e vendidos 3 mil litros dessa cerveja com a assinatura do criador da receita no rótulo. A campeã deve estar no mercado em abril.
Robust Porterorter
As Robust Porters, segundo definição do II Concurso Mestre Cervejeiro Eisenbahn, são cervejas de coloração preta e com sabor de malte torrado, mas não de cevada torrada. Essas Porters têm um amargor claro de malte torrado sem um alto caráter de queimado. As Robust Porters variam de corpo médio a bem encorpadas e têm um adocicado de malte. O amargor varia de médio a alto, com aroma e sabor de lúpulo variando de baixo a médio. O diacetil é aceitável em níveis bem baixos. Ésteres frutados devem estar presentes, equilibrados com as notas de malte torrado e o amargor proveniente do lúpulo.
Curiosidades
O estilo Robust Porter tem origem na Inglaterra. Após o trabalho, os trabalhadores braçais do porto costumavam ir para os pubs, onde misturavam cerveja clara e escura para que ficasse mais forte.
O nome da cervejaria campeã é Gräbenwasser, Um dia, por brincadeira, o pai de Ivan, quando viu o mosto fermentando, chamou a cerveja deles de Gräbenwasser que, em alemão, significa água de valeta. A família deu muita risada, mas essa brincadeira acabou se tornando o nome da cervejaria. (M.P.)