
por Maíra Porto
Foi-se o tempo em que mulheres não bebiam cerveja. Agora, além de beber, elas entendem – e muito – da ‘loira gelada’. E isso não é sonho, não!
Grupos de mulheres já se reúnem para degustar e discutir sobre cerveja. As ‘confrarias’ como são chamadas, já atraem, além de homens, mulheres que gostam e entendem do assunto. No Brasil, existem três desses grupos; um no estado de Minas Gerais, outro em São Paulo e o mais recente no Rio de Janeiro. E é sobre este último que vamos falar nesta matéria.
O grupo é formado por seis mulheres que já possuíam ligação com o mundo cervejeiro através da Acerva Carioca (Associação dos Cervejeiros Artesanais Cariocas) e que recentemente decidiram reunir-se apenas entre elas: assim nasceu a FemAle Carioca.
Tudo começou quando Tatiana Gomes estava em um supermercado e percebeu que existiam muitas cervejas que ela nunca tinha provado; teve a idéia de degustá-las mais a sério, além de simplesmente comprar e beber. Pesquisando na internet, descobriu a confraria mineira e achou a idéia muito legal. Mandou um e-mail para Talita Figueiredo, que adorou a idéia, e resolveram convidar outras meninas que já faziam parte da Acerva Carioca.

A idéia era degustar, conhecer mais sobre o mundo cervejeiro e se divertir, e para isso queriam uma reunião descontraída. Reuniram-se pela primeira vez em 22 de setembro de 2008 e começaram a ‘desenhar’ o que queriam. Desde então, os encontros acontecem uma vez por mês na casa de uma das integrantes ou em alguns dos bares que trabalham com cervejas especiais.
Elas fazem a degustação do tipo escolhido para o encontro e a harmonização das cervejas com um prato. Para que não haja um pré-conceito em relação às cervejas, as degustações são realizadas às cegas. São os homens que participam do encontro que as servem. Isso mesmo, os homens!
Mas não é um grupo apenas de mulheres? Sim! A degustação é feita somente por elas, as estrelas principais, mas os homens – maridos e amigos – são os coadjuvantes da noite.
Eles fazem o papel de garçom, de cozinheiro e até de fotógrafo. Há certa ‘inversão’ de papéis nesses encontros, o que mostra que as mulheres também entendem de cerveja e os homens de cozinha.
A dinâmica do encontro
Nos encontros das FemAle, normalmente há uma apresentação do tipo da cerveja. Às vezes, são elas mesmas que fazem a apresentação, mas em outras, são alguns amigos e convidados.
Depois da apresentação do estilo, começa a degustação às cegas com copos numerados. Uma cerveja de cada vez, elas analisam a cor, a turbidez, a densidade da espuma, o aroma e o sabor. Anotam todas as informações que ‘encontraram’ e discutem entre elas o que acharam. Então há o pedido da próxima cerveja a ser degustada e a dinâmica volta ao início: analisam a cor, a turbidez...
Após degustarem todas as cervejas separadas para o encontro, elas discutem novamente as informações e elegem uma sequência da melhor para a pior. Então, os garçons da noite (maridos e amigos) informam os números que correspondem às cervejas.

Diversão
Depois da degustação e análise das cervejas, há sempre um jantar – preparado pelos homens. O jantar costuma ser harmonizado com o estilo de cerveja escolhido para a noite. Então, chega a hora da diversão. Jantar, cerveja, conversas, brincadeiras, tudo muito descontraído. Essa diversão toda não tem hora para acabar, mas uma coisa não acaba: a cerveja!
FemAle Carioca
O grupo é formado por seis mulheres que fazem muito mais do que degustar cerveja. Todas elas têm sua profissão e são bem sucedidas. Tatiana Gomes e Flávia Melo são advogadas. Luciane Tavares é administradora. Eduarda Dardeau é consultora em engenharia de produção. Talita Figueiredo é jornalista e Regina Carvalho é engenheira civil.
As meninas pretendem muito mais do que apenas degustar. O objetivo delas é fazer uma cerveja coletiva que leve o nome de FemAle.
Curiosidade
O nome FemAle Carioca vem das Ales, o que não quer dizer que elas bebam apenas esse estilo de cerveja. Ale é o nome arcaico da cerveja. Quanto ao termo carioca, nem preciso explicar de onde vem.