
Em uma volta por Porto Alegre, encontramos bares que dão à cerveja seu devido valor.
por Maíra Porto, com colaboração de Pedro Braga
fotos: Ricardo Jaeger
Quem pensa que excelentes bares e
restaurantes só podem ser encontrados
no eixo Rio-São Paulo se engana. A
cidade de Porto Alegre possui ótimos
representantes no que diz respeito à pubs e
bares especializados em cervejas especiais.
A capital gaúcha foi escolhida pela
reportagem da Beer Life e revelou possuir
em seu mapa lugares incríveis e inusitados.
Vale à pena conferir!
Lourival
Bar tradicional de Porto Alegre, depois de
muitos anos no mercado resolveu buscar
um diferencial para a casa e passou a
investir em cervejas especiais. Há quatro
anos o Lourival aposta na carta de cervejas.
O bar, fundado em 1953, foi adquirido por
Leandro Rodriguez há nove anos. Como
forma de agregar novidades à tradição do
bar, Leandro descobriu uma infinidade de
cervejas que poderiam fazer parte de uma
carta bem elaborada, “coisa rara nos bares
de Porto Alegre na época”, conta Leandro.
Isso levou o tradicional bar da capital gaúcha a inovar em seu cardápio. Como na época poucos bares trabalhavam
com cervejas especiais e pouquíssimas
pessoas sabiam da existência delas, a
casa realizou um trabalho de divulgação.
“Fizemos um coquetel de lançamento da
carta de cervejas, mas o sucesso veio aos
poucos. Fizemos também um mostruário
no bar, em vidro e com iluminação interna”,
conta Leandro. Esse mostruário chamava
a atenção dos clientes que passaram a
perguntar sobre as cervejas e a receber as
informações necessárias dos colaboradores
do bar, treinados exatamente para isso.
A carta de cervejas do Lourival possui
em torno de 80 rótulos entre nacionais e
importadas, das quais as mais vendidas
são a Helles e a Slava da cervejaria gaúcha
Abadessa. Dentre as industrializadas, a
mais vendida é a Antarctica Original e das
importadas, as uruguaias Patrícia e Zillertal.
No bar você encontra cervejas artesanais
brasileiras do Rio Grande do Sul, assim
como de Minas Gerais, Rio de Janeiro e
Santa Catarina. Além das brasileiras, a carta também conta com cervejas do Uruguai,
Argentina, Bélgica, EUA, México, Holanda, Japão,
Alemanha, Inglaterra, Irlanda, França, Áustria e
República Tcheca.
Mesmo com inúmeras cervejas importadas, as
artesanais são as mais procuradas. Segundo
Leandro, isso se deve também ao estilo das
garrafas, que são bem diferentes das cervejas
tradicionais.
Como o Lourival é um bar tradicional, a clientela
engloba desde os universitários que estão
conhecendo o mundo cervejeiro, como pessoas
mais velhas que frequentam o bar há anos.
Além do atendimento da brigada - que tem um
bom conhecimento dos estilos de cerveja e das
curiosidades que englobam cada uma - o bar conta
com outro instrumento para fidelizar os clientes: o
passaporte de cervejas.
O passaporte é um cartão que é carimbado cada
vez que o cliente consome uma cerveja de um
país ou estado diferente. Assim que preenche o
passaporte, o cliente pode escolher uma cerveja de
brinde.
A busca pelo diferencial deu tão certo que os
proprietários do Lourival “pretendem abrir duas
novas casas e aumentar a quantidade de rótulos”,
nos confidencia Leandro.
Bier Markt
Com o tempo a cidade foi ganhando novos
consumidores e pessoas interessadas em cervejas
especiais. Pessoas como Pedro Braga, um dos
proprietários do Bier Markt e dono de um blog
sobre cervejas. Pedro sempre esteve tão envolvido
com o mercado cervejeiro que tinha vontade de
abrir uma casa especializada em cervejas especiais
e on tap (barril). Esse sonho foi realizado no mês
de julho, quando juntamente com Adolfo Bandeira
e Alaor Peruzzo, abriu o Bier Markt. (confira mais
na seção É novo!).
Dado Bier Pub
Assim que a quantidade de pessoas que apreciam
cervejas especiais começou a crescer, o gaúcho
que tem cerveja no nome - Eduardo Bier - decidiu abrir uma microcervejaria. Desde então, a
primeira microcervejaria do Brasil tem se
destacado no Rio Grande do Sul. Destaque
que levou à abertura do Dado Bier Pub em
fevereiro de 2000.
Werner Siegmann, proprietário do Dado
Bier Pub, abriu a casa como uma franquia
da microcervejaria, oferecendo todas as
cervejas do portfólio da empresa. Com o
tempo, começaram a oferecer também pratos
de excelente qualidade, buscando atingir o
conceito de gastropub – boas cervejas e boa
comida.
Da esquerda para a direita, Lourival Bar, Bier Markt e o Dado Bier Pub.
O Dado Bier Pub trabalha apenas com as
cervejas da marca de mesmo nome, dentre
as quais a Pilsen, “a mais vendida sem dúvida
nenhuma”, informa Werner. Depois dela vem
as Dado Bier Ale e a Black.
A casa conta com um grande movimento
desde a inauguração. O público que frequenta
o pub é muito diverso e se alterna conforme
o dia da semana e o horário, mas todos os
clientes aparecem sempre “em busca do
conceito de serviço, qualidade e dos produtos
Dado Bier”, explica Werner.
A clientela é tão fiel que impressiona o
proprietário. Segundo Werner, há clientes que
prestigiam as cervejas há muitos anos, assim
como o ambiente do Dado Pub. O movimento
é forte e as pessoas são muito interessadas.
Uma nova fábrica da Dado Bier vai ser
inaugurada em breve no Rio Grande do Sul e
segundo Werner, essa inauguração traz boas
expectativas de novas, e ainda melhores,
cervejas e chopes.
Nossa Senhora do Ó
Outro estabelecimento relativamente novo é o bar Nossa
Senhora do Ó, inaugurado há quase um ano, em setembro
de 2008. O bar já nasceu trabalhando com cervejas
importadas e artesanais. Isso porque o proprietário, Vagner
Piccolo, teve como inspiração a pequena quantidade de
bares na capital gaúcha que trabalham com esse conceito.
Decidido a abrir uma casa focada em cervejas especiais,
Vagner buscou oferecer algo a mais aos clientes, visto
que o mercado de cervejas importadas e artesanais vem
crescendo a cada dia. Além disso, contribuiu para o foco
nas cervejas especiais o fato das pessoas terem interesse
em experimentar coisas novas com preços razoáveis.
Mesmo com o interesse das pessoas, foi e continua sendo
necessário um trabalho de educação do paladar, pois
segundo Vagner, os gaúchos são muito criteriosos no que diz
respeito ao custo da bebida/comida.
O trabalho de educação e disseminação do conhecimento
do bar Nossa Senhora do Ó, assim como de outros bares,
tem dado bons resultados, pois “a cada dia há maior
aceitação pelas cervejas importadas e artesanais”, conta
Vagner; sendo as artesanais gaúchas (Abadessa, Coruja e
Schmitt) as mais procuradas na Nossa Senhora do Ó.
Mesmo com cervejas belgas, inglesas, irlandesas, tchecas e
alemãs fazendo parte da carta de cervejas, Vagner acredita
que as artesanais gaúchas vendem mais, pois o gaúcho
valoriza os produtos estaduais, assim como pelas garrafas
diferenciadas, além é claro, da qualidade do produto.
A maioria do público está na faixa dos 40 anos, embora
tenha muitos jovens que frequentam a casa. Dos
frequentadores assíduos do bar, muitos chegam a ligar para
verificar qual chope está sendo servido no dia, pois o bar
tem apenas duas ‘torneiras’, sendo feito rodízio em uma
delas.
Além disso, Vagner identifica diferentes tipos de clientes:
“tem o cliente que vem para experimentar as novidades,
mas toma sempre a mesma cerveja como ‘saideira’; tem
o que vem para almoçar quase todos os dias; o que passa
rapidinho para comer um petisco e tomar uma cervejinha;
entre tantos outros tipos”, revela.
O bom atendimento é a alma do negócio e isso é quase
um lema no Nossa Senhora do Ó. Lá, todos os funcionários batalham diariamente para que o atendimento
seja rápido e eficiente, e que todas as pessoas
sejam atendidas com respeito, simpatia e
profissionalismo. Além disso, o bar conta com
um cardápio simples de cozinha de boteco.
Nossa Senhora do Ó e a fachada do Cherry
Juntando as duas características principais,
Vagner brinca e diz que é “um boteco gaúcho
com sotaque paulista”. A única diferença é
o preço, visto que as cervejas importadas
chegam ao Rio Grande do Sul com 30% a mais
de imposto.
Cherry Blues Pub
Inaugurado no início de 2003, o Cherry foi
um dos bares pioneiros a trabalhar com
cervejas especiais. A Eisenbahn, cervejaria
de Blumenau, havia sido fundada seis meses
antes e quando o bar abriu os proprietários
resolveram investir na cerveja artesanal que
estava surgindo no mercado, assim como eles.
A ideia era oferecer as cervejas da Eisenbahn
como diferencial, já que ninguém as tinha.
No começo precisaram fazer uma educação de
paladar. “Os clientes chegavam e pediam ‘um
chope’”, conta Paulo Cesar Kuhn, proprietário
do Cherry. Com receio do impacto que o chope
artesanal teria, resolveram trabalhar também
com o chope de uma grande cervejaria. “Dois
meses depois tiramos a chopeira da grande
cervejaria, pois o artesanal vendia dez vezes
mais”, confidencia Paulo.
O sucesso da cerveja artesanal foi tão grande,
que Paulo resolveu abrir outra casa em que
o foco é a cerveja artesanal: o Mulligan Irish
Pub. Com a abertura da nova casa, a carta de
cerveja do Cherry acabou ficando reduzida (em
torno de 20 rótulos), embora conte com ótimos
exemplos de cervejas e chopes artesanais
brasileiros, belgas, alemãs, irlandeses e
ingleses. Mesmo com essa variedade, a cerveja
mais vendida ainda é a pioneira da casa: a
Eisenbahn.
O Cherry abre de quinta a sábado e é conhecida
como uma casa noturna que oferece cervejas
especiais como diferencial. A casa conta com
shows de rock, blues e pop. Até mesmo por ser
conhecida como uma casa noturna, o Cherry
tem um público mais jovem, dos 25 aos 39
anos.
No começo a casa recebia pessoas que,
em sua maioria, não conheciam as cervejas
especiais. Hoje Paulo acredita que metade do
público busca as cervejas especiais que a casa
oferece e a outra metade acaba descobrindo-as
no Cherry.
Hoje, além de receber variados tipos de público,
o Cherry tem alguns clientes muito fiéis, como
um vizinho do bar que comparece ao menos
uma vez por semana para tomar um chope. “Ele
sai para passear com o cachorro, o Léo, o deixa
amarrado do lado de fora do bar, entra e toma
um chope Newcastle. Essa é a rotina dele há
seis anos. Além de frequentar o bar ao menos
uma vez por semana, ele pendura a conta e
paga a cada 60 dias”, confidencia Paulo.
O proprietário do Cherry nos conta que hoje a
casa está estável, mas pretende atualizar os
rótulos servidos e renovar o cardápio. Além
disso, enfatiza Paulo, é necessário estar atento
para manter a qualidade e o número de rótulos
diferenciados.
Mulligan Irish Pub
Depois de um tempo de experiência com o
Cherry, Paulo resolveu abrir o Mulligan na
rua que é referência gastronômica na capital
gaúcha: a Rua Padre Chagas. A ideia foi levar
o diferencial existente no Cherry para um lugar
mais movimentado.
As mesmas necessidades encontradas no
bar anterior foram encontradas no novo
empreendimento. Segundo Paulo Kuhn,
proprietário da casa, mesmo o Cherry
‘vendendo’ cultura cervejeira há quase dois
anos, foi necessário educar o paladar no
Mulligan também, pois muitas pessoas
apareciam no bar sem saber nada sobre
cervejas especiais.
No entanto o Mulligans teve uma grande
facilidade se comparado ao empreendimento
anterior: muitas pessoas o procuravam,
pois sabiam que era dos mesmos donos do
Cherry Blues. Além disso, o Irish Pub vende
uma variedade bem maior de cervejas, tendo
exemplares brasileiros, alemãs, belgas,
irlandeses, uruguaios, tchecos, argentinos,
franceses, espanhóis, escoceses, americanos
e ingleses, chegando a uma carta com 70
rótulos.
Mesmo com essa imensa quantidade de
rótulos, a cerveja mais vendida é a mesma
do Cherry Blues, a artesanal de Blumenau/
SC. Embora os proprietários busquem
sempre renovar o cardápio, o número de
rótulos permanece praticamente o mesmo,
pois muitas cervejas são importadas e não
oferecerem estabilidade no fornecimento.
No Mulligan não tem shows como no Cherry,
no entanto o local é caracterizado como
um pub irlandês, devido à ambientação que
remete ao estilo, assim como o atendimento,
a localização, os jogos e as cervejas.
Como existem muitos hotéis nos arredores
do Mulligan, o bar é muito frequentado por
estrangeiros, como é o caso de um inglês
que durante um bom tempo morou em um
desses hotéis próximos ao bar. “Ele estava no
Brasil a serviço e era frequentador assíduo do
Mulligan. Sempre tomava cinco ou seis pints
de Old Speckled Hen ou Guinness. Um dia
ele resolveu beber a Miller que era produzida
no Brasil e achou a cerveja muito ‘aguada’.
No entanto, continuou bebendo e, no fim da
noite, tinha tomado 48 garrafas long neck de
Miller, o que dá em torno de inacreditáveis 17
litros de cerveja!”, nos conta Paulo Kuhn.
Bar do Goethe
O Bar do Goethe é um ponto tradicional de Porto
Alegre e está em funcionamento há 22 anos. Depois
de um bom tempo de estrada, o proprietário do
bar, Fernando Yeps, resolveu investir em cervejas
especiais. Esse interesse se deve a viagens realizadas
por ele e o conhecimento adquirido sobre cervejas
nessas viagens. Isso foi há oito anos.
Desde que iniciou a comercialização das cervejas
especiais no bar, Fernando precisou fazer uma
educação de paladar com os clientes. Essa educação
trouxe frutos como a boa margem de venda das
cervejas especiais e o conhecimento dos clientes
sobre elas. Além disso, segundo Fernando, o brasileiro
passou a valorizar mais as boas cervejas.
Como o bar está localizado dentro do instituto Goethe
em Porto Alegre, há apenas cervejas importadas da
Alemanha. “Por ética e respeito ao local onde está o
bar, trabalho apenas com cervejas alemãs, o que não
significa que não existam boas cervejas em outros
países”, explica Fernando.
Algumas pessoas aparecem no bar por acaso, outras
vão por indicação dos amigos. “Muitos não conhecem
as propriedades da cerveja e costumo dar-lhes uma
explicação sobre as mesmas”, conta Fernando. O
bar conta com cervejas e quitutes de qualidade, o
que acaba fidelizando a clientela. Segundo Fernando,
muitas são as pessoas que visitam o bar desde a
primeira semana de funcionamento em 1987. Como,
por exemplo, um casal que se conheceu no Bar do
Goethe, se casaram e hoje moram na Alemanha. Além
deles, Fernando diz que existem outros casais com
histórias semelhantes.
Na casa são vendidos apenas cinco rótulos de
cervejas artesanais. Mas não se impressione pela
quantidade, afinal, o que importa mesmo é a
qualidade do produto e isso pode ser encontrada no
Bar do Goethe.
A casa é pequena e não tem espaço para shows, no
entanto, no auditório do Instituto (ao lado do bar),
sempre tem inúmeros shows; o que acaba sendo um
diferencial para o Bar do Goethe.
Zelig Bar
Provavelmente um dos pioneiros no mercado de
cervejas especiais no Rio Grande do Sul, o Zelig
Bar está em atividade há 23 anos. A preocupação
do proprietário Paulo Henrique Pio da Silva Cardozo
era oferecer produtos cuja qualidade pudesse ser
garantida.
Em uma época em que só se ouvia falar de três ou
quatro marcas no Brasil, “era raro encontrar bares
com marcas diferenciadas como a Polar produzida em
Estrela, a Pérola de Caxias do Sul, a Serramalte Extra
Luxo e a Kronenbier, também fabricadas no estado gaúcho”, conta Paulo. Preocupado com a
qualidade, o Zelig foi também a primeira casa a
vender a cerveja gaúcha Coruja, de Teutônia/RS.
A ótima aceitação e o prazer de ver os amigos
saboreando cervejas deliciosas dos mais
diversos estilos incentivaram Paulo a investir
ainda mais no bar. E esse investimento resultou
em bons frutos. Dos 30 rótulos ofertados na
casa, 18 são de cervejas artesanais. Muitos
clientes vão até o estabelecimento em busca
das cervejas especiais. “A maioria vem em
busca de sua cerveja preferida, como é o caso
de muitos clientes fiéis que frequentam o bar
toda semana desde a inauguração”, conta
Paulo.
O Zelig Bar tem ainda uma programação
cultural bem variada, com direito a exposições
de pinturas, gravuras, fotografias, assim como
manifestações literárias. Além disso, toda terçafeira
tem a DJ Andréia, conhecida como “garota
vinil” por tocar somente discos de vinil. Essa
manifestação cultural nos leva a uma viagem
no tempo através do rock’n’roll dos anos 60,
70 e 80. A casa conta ainda com muita música
brasileira.
Toca da Coruja
Entre os mais novos bares porto-alegrenses,
a Toca da Coruja, como o nome já diz, é o bar
da microcervejaria gaúcha Coruja. Fundado
em novembro do ano passado, a casa conta
com toda a linha de cervejas Coruja em
barril, além de uma torneira reservada para
outras cervejarias gaúchas ou um homebrew
convidado.
O maior incentivo para a criação da Toca
da Coruja foi “a ideia de ter um lugar que
pudesse ser considerado ‘nosso’, sem bandeira
nenhuma; portanto, livre para cervejas e ideias
diferentes”, explica Micael Eckert.
Mesmo sendo o bar de uma cervejaria,
nem por isso os proprietários estão livres da
educação de paladar do público, pois embora
muitas pessoas já conheçam as cervejas,
“normalmente vão acompanhadas de amigos
que precisam de alguns esclarecimentos para
que possam compreender as sensações de
uma cerveja especial”, conta Micael.
Engana-se quem pensa que na Toca da Coruja
só existem cervejas da própria cervejaria.
Há excelentes representantes de outras
microcervejarias brasileiras, em especial, as
gaúchas. A proposta do bar é exatamente essa:
boas cervejas especiais brasileiras.
A procura pelas cervejas diferenciadas tem sido cada vez maior. “As pessoas
começaram a entender que essas
cervejas têm muito mais sabor e
aroma”, revela. “Além de entender
que a harmonização de cerveja com
pratos igualmente especiais em um
lugar bacana é muito melhor do que
fritas com cerveja ‘estupidamente’
gelada”, brinca Micael.
Assim como se preocupam com
a busca por excelentes rótulos
artesanais brasileiros, os proprietários
da casa se preocupam com o
design da Toca. “Desde os móveis,
porta-guardanapo e cardápio à
um bom sistema de refrigeração
e armazenamento dos barris - a
câmara fria fica enterrada no piso”,
conta. Há ainda o cuidado de oferecer
os diferentes estilos de cerveja em seus respectivos copos.
A Toca conta ainda com eventuais shows
oferecidos gratuitamente aos clientes. A
maioria dos shows é de músicos e amigos
frequentadores da casa. Isso porque,
segundo Micael, a Coruja investe muito
em cultura e arte e estes apoios acabam
dentro do bar. Além disso, os proprietários
se preocupam com as novidades cervejeiras.
De tempos em tempos trocam a cerveja
convidada, pois “sempre há uma nova
cerveja especial sazonal ou a de um amigo
cervejeiro”, diz Micael.
Shamrock Irish Pub
O Shamrock é um pub irlandês que busca
trazer ao Brasil todas as características
de um verdadeiro pub na Irlanda. Isso é
facilmente concretizado devido à origem de seu
proprietário. Simon Nesbitt nasceu e foi criado
no país de St. Patricks, a Irlanda.
Aberto há sete anos, o Shamrock trabalha com
cervejas especiais desde sua inauguração.
Simon decidiu abrir a casa pelo fato de apreciar
diferentes tipos cerveja e, afinal, ele nasceu
no país de uma das cervejas mais famosas do
mundo: a Guinness.
E será que vendem Guinness no Shamrock?
Com certeza absoluta! Já imaginou um pub
irlandês que não vende Guinness? Além de
comercializarem a cerveja, ela é a importada
mais vendidas no pub, seguida da nacional
Heineken.
No entanto, engana-se quem pensa que no
Shamrock só se vende cerveja nacional e
irlandesa. Há também rótulos da Alemanha,
República Tcheca e México. Normalmente,
os clientes vão ao pub em busca dos rótulos
diversificados, no entanto, sempre aparece
alguém que não conhece praticamente
nada do meio cervejeiro, sendo necessária uma explicação dos estilos e características
das cervejas, o que contribui para uma
disseminação do conhecimento e educação de
paladar.
Segundo Simon, a procura por cervejas
especiais é grande, principalmente por clientes
que estiveram recentemente na Europa e
conheceram novas cervejas por lá. Por ser
um fiel pub irlandês, ter boas cervejas e bons
preços, o Shamrock tem inúmeros clientes
fiéis. Além disso, existem os clientes de
cervejas específicas, em especial a Eisenbahn e
a Guinness.
A casa conta ainda com música ambiente,
misturadas com 15 rótulos de cervejas
nacionais, artesanais e importadas. Não há
pretensão nenhuma de aumentar a quantidade
de rótulos, “a não ser que apareça algo
surpreendente e especial”, revela Simon.