Cadastrado Efetuado com sucesso!




Se, numa universidade, uma professora chegar a seus alunos e disser: “cerveja é coisa séria”, muitos rirão, na certeza de que a frase é uma provocação para ganhar a simpatia da classe. Mas, acredite!, cerveja já é um assunto tão importante quanto o mercado que movimenta. Só em 2007, o Brasil consumiu 10,34 bilhões de litros, ou 56 litros por pessoa. O volume foi nada menos que 30% maior do que o consumido no ano anterior. Ou seja, esse mar de cereais fermentados numa delicada alquimia está se ampliando e se reinventando em novas marés. Os fatos são promissores. O nosso mercado de cervejas, além de ser um dos maiores do mundo, está se sofisticando rapidamente. O brasileiro – que há décadas fez da cerveja a grande companheira de seus bons momentos – aprendeu nos últimos anos a apreciar cervejas especiais. Enquanto as cervejas populares cresceram 6,7% em 2007, as cervejas especiais viram suas vendas aumentarem em 12% naquele ano. A evolução da sofisticação pode ser medida em dólares: o faturamento do segmento das cervejas especiais, que era de US$ 1,8 milhão, em 2000, chegou a US$ 7,4 milhões sete anos mais tarde.

A mesma professora poderia continuar sua aula lembrando aos jovens à sua frente que este é um ramo onde nem faltam encantos, nem oportunidades. O Brasil possui hoje 125 milhões de habitantes com mais de 18 anos, portanto, aptos a se deleitarem com a vasta variedade de estilos de cerveja já disponíveis nas prateleiras. Mas não é só. A renda média dos consumidores cresceu nos últimos anos, o que amplia o fôlego da demanda. E a cadeia de produção local é respeitável e pulverizada em todo o País: existem cerca de seis dezenas de cervejarias e uma centena de microcervejarias dentro das fronteiras nacionais. Elas se utilizam de uma rede de 1,5 mil distribuidoras que fornecem para um milhão de pontos de venda. Melhor ainda, essa grande estrutura das cervejas resulta em algo que é particularmente precioso: 150 mil empregos diretos e indiretos. Mas, se a aula da professora não impressionou, talvez os argumentos de donos e donas de restaurantes e bares cumpra esse papel. No dia a dia atendendo o público, eles e seus garçons têm notado a importância dos profissionais mais especializados no ramo.

Chegou a vez dos especialistas em cerveja, beer sommeliers e consultores de marketing. E aqui descobrimos o calcanhar de Aquiles desse mercado tão vigoroso. Num país continental como o nosso, precisamos formar mais chefs de cozinha, cozinheiros, sommeliers, baristas e bartenders. Assim, vale a dica: a formação de mão-de-obra especializada no mercado de cervejas poderá fazer toda a diferença, pois permitirá aliar um bom produto à excelência de um serviço à sua altura. A professora a quem me refiro – Cilene Saorin, mestre cervejeira e beer sommelier de reconhecimento internacional – tem empenhado esforços junto à Doemens Academy (Alemanha) e lançará no Brasil o curso de formação profissional de beer sommelier no final de 2009.

As escolas de educação superior que se dedicarem de alguma forma a esta demanda, assim como os profissionais que nela apostarem, terão bons motivos para levantar um brinde às cervejas nacionais, sejam elas de quaisquer estilos, populares ou especiais.

*Rosa Moraes é diretora de Relações Institucionais da Universidade Anhembi Morumbi e ex-diretora do Centro de Gastronomia da mesma instituição.

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