As cervejarias
Cervejarias brasileiras extintas
Antartica
Louis Bücher, pertencente a uma família de cervejeiros de Wiesbaden, na Alemanha, chegou a São Paulo em 1868 e abriu uma pequena cervejaria, na qual empregava arroz, milho e outros cereais em vez de cevada. Em 1882 associou-se a Joaquim Salles, proprietário de um abatedouro de suínos, localizado no atual bairro da Água Branca. A “Antarctica Paulista – Fábrica de Gelo e Cervejaria” foi a primeira fábrica de cerveja com tecnologia apropriada para a produção de cerveja de baixa fermentação.
Originada em uma fábrica de gelo e alimentos aberta em 1885 na Água Branca em São Paulo, bairro conhecido como Parque Antarctica, a cervejaria ganhou o nome de Companhia Antarctica Paulista. A fabricação de cerveja começou apenas em 1888 com a chegada de mestres cervejeiros alemães e no ano seguinte foi publicado na imprensa o primeiro anúncio de uma cervejaria brasileira – a Antarctica Pilsen da Cia. Antártica Paulista – no jornal A Província de S. Paulo, atual O Estado de S. Paulo.
A produção inicial foi de mil a 1,5 mil litros, porém, passando rapidamente para seis mil litros. Construiu-se uma sede em Ribeirão Preto (SP) em 1911 e já no início dos anos 1920 a produção era de 250 mil hl/anuais. A cervejaria passou a eliminar quase todas as concorrentes e também as importadas – em 1904 a Cervejaria Bavária; em 1961 a Cervejaria Bohemia; em 1972 a Polar (RS) e no ano seguinte, também no RS, a Cervejaria Pérola; e logo depois a Serramalte. Esse processo de incorporação encareceu muito o produto para o consumidor comum. Por exemplo: o salário de um serralheiro em 1919 correspondia de seis a oito garrafas de cerveja.
Após alguns anos de indefinição e contínuas mudanças, a firma se estabilizou, tornando-se uma das maiores empresas brasileiras do setor de bebidas. A última grande convulsão aconteceu em 1940, ano em que os proprietários da Companhia Antarctica Paulista, Antonio e Helena Zerrener, alemães de nascença, faleceram sem deixar herdeiros. A companhia passou então por diversos donos, até ser comprada por vários investidores e se tornar a Companhia Antarctica Paulista – Indústria Brasileira de Bebidas e Conexos, com fábricas no Bom Retiro (Cerveja Progresso e cerveja preta) e na Mooca (cervejas claras e conexos).
Esta reformulação da empresa a permitiu crescer e ficar mais forte, lançando-se em uma sucessão de aquisições, sendo talvez a de maior destaque a da Cervejaria Adriática, instalada em Ponta Grossa/PR. Esta companhia, pertencente à família de origem alemã Thielen, ganhou destaque na indústria cervejeira, principalmente através da cerveja Original, produzida, quase como a que conhecemos hoje desde 1930. O desenvolvimento da Antarctica passou também pela constituição de uma maltaria própria em Jaguaré/SP e a aquisição do antigo prédio da Fábrica de Cerveja e Gelo Colúmbia, em Campinas/SP, que passou a servir de depósito à fábrica adjacente, prédio que se encontra vazio e abandonado desde 1989.
Em 1960, a Antarctica celebrou 75 anos de história possuindo uma capacidade de produção de 3,9 milhões de hectolitros/ano de cervejas e refrigerantes. À medida que as vendas iam crescendo, também aumentava o número de empresas concorrentes. Uma dessas empresas era a Cervejaria Bohemia, produtora da excelente e antiga cerveja Bohemia e também do Guaraná Petrópolis, grande concorrente do Guaraná Antarctica.
Para eliminar a competição, a Antarctica adquiriu o controlo acionário da cervejaria Bohemia, marca que ainda hoje faz parte do portfólio da AmBev. Com as constantes aquisições, a Antarctica se tornou um gigante industrial, sempre atento a novas oportunidades de mercado e a tendências de consumo. Pelo caminho, outras empresas foram sendo adquiridas, como a Polar, próspera empresa do estado do Rio Grande do Sul, ou a Cerman, da Cervejaria Catarinense (que se instalou em Joinville em 1938) e, talvez a mais importante de todas: a Companhia Cervejaria Paulista. Firma de grandes tradições e instalada em Ribeirão Preto desde 1911 e que iniciou uma tradição na cidade: abririam inúmeras choperias, entre as quais, a famosa Pinguim. De fato, não é por acaso que Ribeirão Preto é denominado a Capital do Chope!
No ano de 1973, a Diretoria da Empresa colocou em prática inúmeras ações tendo em vista a descentralização das atividades industriais e comerciais do complexo empresarial Antarctica. Foram constituídas empresas com personalidade jurídica própria em vários estados brasileiros, como a Companhia Sulina de Bebidas Antarctica, com sede em Joinville/SC e que passou a operar a partir de abril de 1973 com a incorporação das unidades de Ponta Grossa e Curitiba; a Cervejaria Antarctica Niger S/A, de Ribeirão Preto/SP, resultante da fusão da Cervejaria Antarctica de Ribeirão Preto S/A com a Cervejaria Níger S/A; e a Indústria de Bebidas Antarctica do Rio de Janeiro S/A, resultante da Fusão da Cervejaria Antarctica da Guanabara Ltda. com a Companhia Cervejaria Bohemia de Petrópolis.
O início dos anos 1970 foi marcado por mais aquisições e inaugurações. A Antarctica adquiriu a Cervejaria Pérola de Caxias do Sul/RS e a Companhia Itacolomy de Pirapora/MG. Em 1973 foram criadas novas filiais em Goiânia/GO, Montenegro/RS, Rio de Janeiro/RJ e Viana/ES e nos anos seguintes, filiais no Rio Grande do Sul e Teresina. A Antarctica adquiriu uma área de 14,32 hectares em Paulo de Frontin/PR, para realizar pesquisas e experimentação agrícola com a cevada cervejeira.
Como estava estável e tinha uma boa representatividade em território brasileiro, decidiu explorar novos mercados, iniciando nos anos 80 uma internacionalização da companhia, através de exportação para a Europa, Ásia e Estados Unidos. Curiosamente, o produto que teve mais sucesso foi o Guaraná, pois as cervejas tiveram algumas dificuldades em se impor nos mercados. A comercialização de produtos para outros países levou a um aumento na produção de bebidas, atingindo 16,4 milhões de hectolitros/ano em 1980. Para conseguir igualar a procura, foi necessário comprar mais fábricas e abrir novas filiais, como a aquisição em 1980 da Cervejaria Serramalte, com suas fábricas de Getúlio Vargas e Feliz, ambas no Rio Grande do Sul. Esta companhia foi fundada em 1953 e teve como origem a Cervejaria Ruschel, fundada por Victor Ruschel, e que passou a ser chamada de Cervejaria Polka e, logo depois, Cervejaria e Maltaria da Serra, Ltda. (Serramalte).
Ao longo desses anos teve uma evolução extraordinária, tendo a Serramalte sido uma das maiores da região e do estado, além de uma das principais do ramo no país. Desde 1957, quando iniciou suas atividades, a indústria funcionou apenas com o setor da maltaria, enquanto a venda de sua produção se limitava às regiões Central e Norte do país, enquanto era construída e montada a cervejaria. Em 24 de junho de 1957, foi lançada a primeira cerveja Serramalte, produto que ainda hoje é vendido pela AmBev. No entanto, a compra das fábricas da Serramalte continuava a ser insuficiente e em 1985 começou a construção de uma fábrica da Antarctica em João Pessoa/PB, que começa a funcionar três anos mais tarde, juntamente com a Fábrica de Cervejas Antarctica no Rio de Janeiro, que tinha capacidade de produção de 3,5 milhões de hectolitros/ano.
A última década do século passado foi aproveitada pela Antarctica para renovar sua gama de produtos, começando pelo lançamento da Kronenbier - uma das primeiras cervejas sem álcool do mercado brasileiro. Além dessa, surgiram muitas outras cervejas, novas ou apenas renovadas: Antarctica Bock, Polar, Polar Pilsen, Bavária Premium, Antarctica Pilsen Extra em long neck, Antarctica Pilsen em long neck com rótulo metalizado e a Bavária Pilsen em garrafa 600ml descartável e em lata.
Além desse crescimento, a companhia fez um acordo com a gigante cervejeira norte-americana Anheuser-Busch para que fosse constituída a Budweiser Brasil, que tinha como objetivo a distribuição da cerveja Budweiser nos postos de venda da Antarctica e, em troca, a venda do Guaraná Antarctica nos EUA. No entanto, o grande destaque desta década vai para a já mencionada união entre a Companhia Antarctica Paulista e a Companhia Cervejaria Brahma, resultando a AmBev. As demais cervejarias brasileiras ajudaram, e ainda ajudam, a moldar o mercado de cervejas deste país.
Brahma
Como já mencionado, a Brahma foi fundada em 1888 pelo imigrante suíço Joseph Villiger e foi instalada na Rua Visconde de Sapucaí, 128. A primeira imagem associada à Brahma representava uma mulher envolta por ramos floridos de lúpulo e cevada, sendo esta a imagem do primeiro rótulo da marca. Após algumas fusões e aquisições, a Brahma era, no início da década de 30, uma empresa bem estruturada e virada para o futuro. A aposta em novas tecnologias e publicidade criou grande afinidade entre a empresa e os consumidores, sendo em 1934, a Brahma Chopp, a cerveja mais consumida no país. Nesse ano a produção alcançou os 30 milhões de litros de cerveja, devido a marcinha "Chopp em Garrafa", composta por Ary Barroso e Bastos Tigre e cantada por Orlando Silva, e que divulgou fortemente o produto. De fato, a Brahma Chopp era a principal marca da firma em 1937, ao lado de 29 tipos de cerveja e 16 tipos de refrigerante.
Em 1943 é introduzida a Brahma Extra, cerveja com extrato forte e encorpado e que tinha o slogan "Extra no Sabor, Extra na Qualidade, Extra nos Ingredientes - Cerveja Brahma Extra, em garrafas ou 1/2 garrafas". Para além do lançamento de novos produtos, a política de aquisições mantinha-se bastante ativa. Exemplo disso foi a compra do maior grupo cervejeiro do Rio Grande do Sul, a ‘Bopp, Sassen, Ritter e Cia. Ltda’, também conhecida por Cervejaria Continental, em 1946 e que mais tarde viria a se tornar a filial rio-grandense da empresa, tendo sido descontinuada em 1998.
Em 1954, a empresa celebrou seu quinquagésimo aniversário, tomando como base o ano de 1904 - data em que a firma se tornou na Companhia Cervejaria Brahma, resultante da fusão entre a Cervejaria Brahma e a Cervejaria Teutônia. Nesse curto espaço de tempo, a empresa tinha-se tornado uma das maiores do Brasil, com seis fábricas e uma maltaria em funcionamento. Para continuar a expandir-se, era necessária a elaboração de um plano de distribuição que abrangesse as áreas mais afastadas dos grandes centros urbanos. Para isso, a Brahma comprou pequenas empresas e as transformou em filiais, como a filial de Agudos/SP que nasceu a partir da antiga Companhia Paulista de Cerveja Vienenses e mais tarde passou a fabricar a cerveja em lata e a Filial do Nordeste, na cidade do Cabo/PE que foi inaugurada em 1962.
Sendo a Brahma uma empresa de capital 100% nacional e preocupada em manter o padrão de qualidade dos seus produtos e a participação no desenvolvimento do país, era óbvio que a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico não podiam ficar de fora de seus planos. Assim, em 1968 foi inaugurada, no Rio Grande do Sul, a Estação Experimental de Cevada para testes de novas variedades de cevada cervejeira, adaptadas ao clima e solo da região. Em 1971, através da Cervejaria Astra S.A., a companhia concretizou uma forte aliança para a fabricação e distribuição de seus produtos no Norte e Nordeste do Brasil. A Astra tinha sido criada um ano antes pela firma J. Macêdo & Cia, em Fortaleza/CE, produzindo uma cerveja de marca própria. Ainda nesse ano, a J. Macêdo adquiriu o controlo acionário da Cervejaria Miranda Corrêa, de Manaus/AM, para, em seguida, se associar à Brahma.
Os anos 70 foram marcados pela contínua expansão da companhia e por algumas alterações na apresentação dos produtos. Dois anos depois, a filial de Agudos lançou a Brahma Chopp e a Brahma Extra em lata de folha de flandres. No mesmo ano chegou ao mercado uma garrafa "personalizada", de vidro incolor e com o nome do produto gravado no vidro. Esta evolução deu origem, alguns anos mais tarde, ao lançamento da Brahma Chopp em garrafa própria, de vidro e cor âmbar (antes era engarrafada em vasilhames de qualquer cor). Nessa época também foram adotados os engradados plásticos para o transporte de cervejas e refrigerantes, inovação levada a cabo pela filial da Brahma em Curitiba (antiga Cervejaria Atlântica, na posse da Brahma desde 1942), a qual se manteve durante os anos 80, época em que a Brahma apostou forte no mercado de refrigerantes.
Todavia, a origem cervejeira da empresa nunca foi abandonada. Em 1980, com a exportação da Brahma Beer (Brahma Chopp), a revista "The Washingtonian" a elegeu como a melhor cerveja importada nos EUA. Para aumentar a participação no mercado cervejeiro, adquiriu o controlo acionário das Cervejarias Reunidas Skol Caracu S.A, que havia sido fundada em 1899 e foi a primeira a lançar cerveja em lata no Brasil (a Skol), nos anos 70. A empresa deu continuidade a produção de toda sua linha: Skol, Chopp Claro Skol, cerveja em lata Ouro Fino (destinada à exportação) e a histórica cerveja Caracu.
Tecnologicamente avançada e com espírito empreendedor, a empresa lançou em 1982 a Brahma Light - primeira cerveja de baixa fermentação e baixo teor alcoólico produzida no Brasil. Em 1983, na cidade de Nova Iorque, a Brahma Light concorreu com mais de 972 trabalhos internacionais e 14 brasileiros ao prêmio "Clio Awards", um dos mais prestigiados do mundo publicitário, tendo ganhado o primeiro lugar.
Em 1984, a Malt 90 foi apresentada em embalagens de garrafas retornáveis de 300 e 600ml e também em lata. Esta cerveja do tipo Pilsen, infelizmente não foi muito bem recebida pelos consumidores e acabou tendo sua produção descontinuada.
A internacionalização da marca Brahma e sua grande aceitação no mercado interno fez com que o jornal alemão "Frankfurter Allgemeine Zeitung" a destacasse como a 7ª empresa de cerveja no mundo, em uma avaliação com companhias de mais 90 países. Este reconhecimento surgiu a partir do reconhecimento científico, obtido após a inauguração de uma moderna cervejaria piloto para desenvolvimento de novos produtos no laboratório da Filial Rio.
Outra importante realização foi a inauguração em 1988 de mais uma fábrica de cerveja: a Cebrasp, em Jacareí/SP. Acompanhando a evolução do mercado e preocupada com o meio ambiente, a Brahma lançou igualmente o "Projeto Brahma para Reciclagem", introduzindo então a embalagem em lata de alumínio para a Brahma Chopp e também a embalagem descartável de 300ml para a Malt 90. O final da década foi fortemente marcado pela aquisição da Companhia Cervejaria Brahma pelo Grupo Garantia, iniciando-se então um período de reestruturação e construção de novas fábricas, como por exemplo, a da Cervejaria Equatorial, em São Luis/MA.
O início da década de 1990 fez-se com excelentes perspectivas e com espírito cada vez mais empreendedor. Instituiu-se em 1991 o Serviço ao Consumidor Brahma, junto ao Código de Defesa do Consumidor - ambos visando garantir apoio e satisfação aos clientes. Durante o ano seguinte iniciou-se a exportação da Brahma Chopp para a Argentina, onde em apenas um ano se tornou a cerveja nº 1 entre as importadas. Como consequência, tornou-se necessário ampliar algumas fábricas, como a Cebrasp.
Outro ano de mudanças e conquistas foi 1994. A Administração Central da companhia foi transferida do Rio de Janeiro para São Paulo. Incorporou a Companhia Anonima Cervecera Nacional, da Venezuela, que passou a produzir a Brahma Chopp no país. Foram inauguradas mais duas filiais: a Filial Santa Catarina, em Lages e a Fábrica de Luján, na Argentina.
Desenvolvimento que chama atenção da empresa norte-americana Miller Brewing Company e que levou a criação em 1995 de uma joint venture (acordo) com a Brahma para distribuir a Miller Genuine Draft. Além disso, em julho de 1996, a Brahma passou a fabricar a cerveja no Brasil para competir no mercado interno. No mesmo ano o 0800 foi divulgado em todas as embalagens dos produtos e o consumidor também pôde optar pelo atendimento via carta e, desde junho, via Internet. A companhia foi a primeira empresa de bebidas a oferecer esse serviço via Internet ao consumidor mantendo, inclusive, contato com consumidores de outros países.
As perguntas e sugestões dos consumidores geraram algumas mudanças de processos e contribuíram para o desenvolvimento de novas embalagens como a Malzbier long neck. Reforçando o seu caráter moderno, a empresa lançou no mercado as novas embalagens long neck e lata com 355ml, padrão internacional de embalagens descartáveis. Para dar continuidade a essa modernidade e atender às necessidades do consumidor, a Malzbier Brahma, lançada em 1945, sofreu modificações visuais no rótulo e começou a ser vendida também em long neck na versão 355ml.
Os últimos dez anos continuaram a ser de crescimento, levando a expansão do parque fabril. No início de 1996 foi inaugurada a Filial Rio de Janeiro, no bairro de Campo Grande, a maior fábrica de cerveja da América Latina com capacidade de produção de 12 milhões de hectolitros por ano. Foi também iniciada a construção de mais duas unidades fabris: uma em Viamão/RS e outra correspondente à Cervejaria Águas Claras, no município de Estância, Aracaju.
O aumento da produção permitiu um incremento nas exportações. Em 1998, a Brahma Chopp passou a ser exportada para a Europa. No ano seguinte, a Companhia Antarctica Paulista e a Companhia Cervejaria Brahma anunciaram a criação da Companhia de Bebidas das Américas (AmBev), resultante da fusão entre ambas. Estava assim criado um gigante econômico mundial.
Em 2006 surge o Chopp Brahma Black – um chope estilo Lager, escuro, com adição de nitrogênio, o que torna a bebida mais leve e com uma espuma muito mais estável e cremosa.
Kaiser
Em 1980, Luiz Otávio Possas Gonçalves, um dos principais acionistas do grupo Gonçalves-Guarany e proprietário desde 1947 de duas grandes engarrafadoras de Coca-Cola em Minas Gerais, passou a perder gradualmente sua participação no mercado de refrigerantes. Na época, as duas maiores marcas líderes do mercado de cervejas praticavam um tipo de vendas em que quase obrigavam o comerciante a comprar guaraná e soda à empresa que também lhe vendia cerveja – a chamada ‘venda casada’. Para tornear o problema, Luiz Gonçalves optou por passar a fabricar cerveja. Arriscou todo capital que dispunha para construir uma nova cervejaria em Divinópolis/MG: a Kaiser.
Rapidamente ele conseguiu colocar a primeira garrafa no mercado: 2 de Abril de 1982. Kaiser em alemão significa ‘Imperador’ e foi escolhido por ser uma palavra de fácil pronúncia, além de associar à imagem da marca a tradição dos antigos cervejeiros alemães. O rápido sucesso da empresa em Minas Gerais possibilitou a expansão da estrutura com novas fábricas em Mogi-Mirim/SP e Nova Iguaçu/RJ.
No final de 1983, a Kaiser já distribuía para os grandes mercados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Na mesma época, a tradicional cervejaria holandesa Heineken - uma das maiores exportadoras de cerveja do mundo - passou a dar assistência técnica à Kaiser. No ano seguinte a Coca-Cola Internacional entrou na sociedade, ao comprar 10% da cervejaria, convencida de que o mercado brasileiro apresentava características incomparáveis ao resto do mundo. Em setembro de 1987, foi criada uma nova unidade em Jacareí/SP, o que reforçou o abastecimento na região.
O crescimento da companhia fez-se também através de aquisições e lançamentos de novos produtos, como a compra da marca Xingú, da Cervejaria Independente Ltda. de Toledo/PR e o aparecimento de uma nova marca de cerveja pilsen batizada de Santa Cerva. Em 2002, a canadense Molson Inc. adquiriu a companhia por US$ 765 milhões. A operação envolveu a aquisição das Cervejarias Kaiser Brasil S.A, Cervejarias Kaiser Pacatuba S.A., Cervejarias Kaiser Nordeste S.A. e Cervejarias Kaiser Goiás S.A., com a transferência de 100% das ações da Bavária Ltda., ficando somente a denominação Cervejarias Kaiser Brasil S.A. Apenas quatro anos depois, a Kaiser foi comprada novamente, desta vez pela mexicana Femsa, que adquiriu 68% do capital da empresa, continuando 15% com a Molson e 17% com a Heineken.
Hoje, a Kaiser possui 10 fábricas, gera cerca de 2.300 empregos diretos e 620 indiretos. Tem uma estratégia de expansão forte e ativa, com lançamentos de produtos como a Kaiser Gold - cerveja que já existia no Sul e que passou a ser vendida também em São Paulo -; a Santa Cerva Malzbier e a Bavária Premium em lata - uma das mais antigas cervejas do Brasil. Além disso, novas unidades foram surgindo, como as de Araraquara/SP, Feira de Santana/BA, Ponta Grossa/PR e Gravataí/RS.
Schincariol
A história da Schincariol começa em 1939, na cidade paulista de Itu. Fundada por Primo Schincariol, a pequena e simples fábrica limitava-se a produzir refrigerantes, como a famosa Itubaína com sabor de tutti-frutti. Durante muitos anos a empresa manteve-se a um nível regional, só se destacando a partir de 1989, quando começou a produzir sua primeira cerveja, a qual foi um sucesso em termos comerciais.
Hoje, a Schincariol tem sete fábricas, que produzem mais de 2,1 bilhões de litros de cerveja por ano. A sua linha de produtos é formada por cervejas, chopp, refrigerantes e água mineral e estes são distribuídos em todo o território brasileiro, para além de vários países do Mercosul, Ásia e Europa. Em 2003, a empresa lançou a All Beer, uma marca própria dos supermercados Carrefour, resultante de intensas negociações entre as duas firmas. A gama de cervejas da Schincariol inclui a Nova Schin, a Primus, a Glacial e a NS2. A sua última unidade industrial localiza-se em Igrejinha/RS e resulta de um investimento de R$ 170 milhões. A planta produz 150 milhões de litros de cerveja e 50 milhões de litros de refrigerante e água mineral por ano, com geração de 300 empregos diretos e 2,4 mil indiretos.
Durante os anos de 2007 e 2008, a Schincariol comprou as microcervejarias Nobel, Devassa, Baden-Baden e Eisenbahn. A Indústria de Bebidas Igarassu (IBI), fabricante da cerveja Nobel, iniciou suas operações em Setembro de 2006, na cidade de Igarassu, situada a cerca de 30 km de Recife. A cidade foi escolhida por possuir um lençol freático com uma das águas mais puras do Brasil, o que possibilita a produção de uma cerveja com muita qualidade. A Nobel começou a ser vendida em Outubro de 2006 e rapidamente se tornou num sucesso em Recife. Os consumidores receberam a novidade de braços abertos e, em apenas nove meses, a cerveja já havia conquistado 6,4% de participação de mercado na cidade. Um desempenho excepcional, que poucas vezes foi visto na história do disputado mercado de cervejas.
Em 2007, a IBI foi comprada pelo Grupo Schincariol, que expandiu a marca para outras praças no Nordeste, como Maceió e Salvador. Este processo de expansão ganhou mais força com a comercialização de Nobel no interior do Estado da Bahia, em Aracaju (SE), Natal (RN) e João Pessoa (PB). Em abril e maio do mesmo ano, a Nobel também começou a ser comercializada em Fortaleza (CE), Teresina (PI) e em São Luís (MA), onde a cerveja só foi vendida em supermercados e hipermercados. Em São Paulo, na capital e em algumas cidades do interior, a Nobel pode ser encontrada na rede Pão de Açúcar.
A Sudbrack de Blumenau/SC foi criada em 2002 e surgiu devido ao descontentamento de alguns empresários do setor pela forma como este estava evoluindo. De fato, cada vez mais se faz chopp e cervejas do tipo Pilsen, esquecendo-se de outros tipos tradicionais de cerveja originários da Europa. Apostando em um experiente mestre-cervejeiro e seguindo a Reinheitsgebot, a Lei de Pureza alemã, criaram a Eisenbahn que pode, hoje em dia, ser degustada sob muitas formas: Dunkel, Kolsch, Pale Ale, Pilsen, Pilsen Orgânica, Weihnachts Ale, Weizenbier, Weizenbock, Rauchbier, Bierlikor e, claro, Chope. A variedade é tamanha, que é difícil, senão mesmo impossível, se encontrar enorme quantidade de estilos em outra cervejeira brasileira.
A microcervejaria Baden Baden produz foi desenvolvida por dois Carlos Hauser, sendo estes pai e filho. As cervejas produzidas por eles são ótimos complementos para uma deliciosa refeição, tipicamente alemã, servida na choperia Baden-Baden. Localizada em Campos do Jordão, a cervejaria que está associada à choperia, produz inúmeras cervejas de qualidade, como a Red Ale (estilo Barley Wine), a Cristal (estilo Pilsen), a Weiss, a Golden (estilo Ale), a Stout, a Bock e a 20 Anos, cerveja comemorativa dos 20 anos da choperia e do etsilo Bitter Ale. Existe ainda a cerveja sazonal Celebration Inverno (estilo Doppelbock). Algumas cervejas da marca já receberam reconhecimento e prêmios internacionais. Foi comprada em janeiro de 2007.
Skol/Caracu
Curiosamente, a ideia de formar a Skol surgiu na Europa, em 1964, a partir de um grupo formado por seis cervejarias entre as quais se incluía a "Sociedade Central de Cervejas", de Portugal. Inicialmente, a Skol associou-se ao Grupo S (Scarpa), que era detentor de quatro cervejarias: a Rio Claro (Caracu), a Santista, a Cayru e a Londrina. Essa união originou a Indústrias Reunidas Skol/Caracu, S.A., que viria a lançar a cerveja Skol Pilsen.
Em 1970, a Skol é adquirida pela BRASCAN, grupo formado por empresários brasileiros e canadenses. No entanto, a estrutura acionista só foi alterada em 1980, quando a Brahma comprou a empresa, juntando às suas marcas a Skol, a Caracu e a Ouro Fino. Sempre na vanguarda da tecnologia, a Skol foi a primeira cerveja em lata do Brasil a ser comercializada em folha de flandres, para além de ter inovado com embalagens descartáveis de vidro e tampas de abertura fácil.
Por outro lado, surgiram a Skol Bock, a Skol Ice e a Skol Fest (cerveja em lata de 5 litros, acompanhada de bomba e bolsa térmica), e manteve-se igualmente a aposta na Caracu (relançada em lata em 1998). Além disso, foi firmado um acordo com a Carlsberg, que permitiu à Skol distribuir a marca no Brasil. A última grande novidade da empresa foi o lançamento, em 2002, da Skol Beats, uma cerveja refrescante e de aspecto moderno e, mais recentemente, a Skol Lemon, uma cerveja com um ligeiro sabor a limão. Além disso, foram lançadas as big necks da cerveja.
AmBev
A Companhia de Bebidas das Américas (AMBEV) resultou da fusão das históricas Companhia Antarctica Paulista e Companhia Cervejaria Brahma. Após longos meses de negociações, as empresas chegaram a um acordo, criando, assim, a quinta maior empresa de bebidas do mundo. Esta nova empresa possuía, no seu leque de marcas, produtos famosos como a Brahma, a Antarctica, a Skol, a Bohemia e ainda outras marcas como a Kronenbier, a Caracu, a Carlsberg, a Miller, a Polar e a Serramalte. A única designação que alienaram foi a Bavária, vendida ao gigante canadense Molson que, entretanto, adquiriu o grupo Kaiser.
Apesar desta junção, os produtos mantiveram a sua autonomia e diferentes ritmos de desenvolvimento. Por exemplo, logo no ano 2000 a Antarctica mudou de visual, apresentando uma nova cor, um novo rótulo e uma nova campanha na comunicação social, cujo slogan era: "Mudou ou não mudou?". Do lado da Brahma, apareceram as embalagens termossensíveis que indicavam se a cerveja estava gelada e, portanto, no ponto exato para ser bebida.
Mas não foi apenas na área das cervejas que a AMBEV apostou forte. Através de aquisições e fortes campanhas publicitárias lançou novos produtos em mercados pouco tradicionais, como o caso do grande investimento que fez em Portugal e Porto Rico por altura da introdução nesses países do Guaraná Antarctica. Aliou-se igualmente a empresas importantes, como a argentina Quilmes, a peruana Embotelladora Rivera e a equatoriana Cerveceria SurAmericana, fato que lhe permitiu aceder com mais facilidade a alguns países da América do Sul e Central. Chegou mesmo a comprar as uruguaias Salus e Cympai (produtora das marcas Norteña e Prinz). À nível interno foram lançados três novos produtos: a Skol Beats, a Bohemia escura e a Bohemia Weiss.
InBev
Ainda o mercado não tinha absorvido por completo a junção da Brahma com a Antarctica, foi anunciada outra fusão: a união da AMBEV com a Interbrew. Tal viria a ser anunciado em 2004, originando a criação da INBEV, uma empresa com mais de 200 marcas no seu portfólio, entre as quais se encontram as bem conhecidas Beck's, Brahma, Stella Artois e Leffe. Empregando cerca de 85 mil pessoas e estando presente em 32 países, a INBEV se tornou a maior empresa cervejeira do mundo, vendendo cerca de 202 milhões de hectolitros de cerveja e 31,5 milhões de hectolitros de refrigerantes só em 2004.
A Interbrew era uma empresa de raízes belgas, formada pela junção da flamenga Stella Artois com a Piedboeuf da região da Valônia. O seu caráter regional só desapareceu quando adquiriu a canadense Labatt, uma companhia que, à altura, era praticamente do mesmo tamanho que a Interbrew. A partir daí, através de fusões e aquisições, tornou-se a maior companhia de cervejas do mundo, à frente de gigantes como a SABMiller, a Anheuser-Busch e a Heineken.
Já sob a nova gerência, é introduzida, ainda em 2004, a cerveja Serrana, com uma receita inédita, elaborada a partir de várias fórmulas datadas do início do século XX e que foram encontradas na fábrica da cervejaria Antarctica durante a catalogação do Projeto Memória Viva da empresa. Para além desta, surgem também a Bohemia Royal Ale, a Brahma Liber e a Skol big-neck, em garrafa de 50cl e com tampa de rosca.
ABinBev
A InBev – fusão da Interbrew e da Ambev -, que já era a maior companhia de bebidas do mundo ficou ainda maior em 2008 ao incorporar a Anheuser-Busch para criar o grupo ABInBev - sigla que conta todo o processo. A primeira empresa de cervejaria do mundo (InBev) fundiu-se com a quarta maior (Anheuser-Busch) por 52 bilhões de dólares.
Além de tudo, essa fusão é altamente simbólica, já que o principal produto da Anheuser-Busch é a Budweiser, e nenhuma cerveja é considerada mais americana pelos norte-americanos do que a boa e velha Bud.
É significativo também que para que a fusão ocorresse foi necessário o aval oficial das autoridades chinesas, que só o aceitaram com a condição de que o novo grupo evitasse juntar as participações nas suas empresas chinesas (Zhujiang Beer e Tsingtao Beer), visando impedir que ABInBev alcance uma situação de monopólio do setor na China.
Por sua parte, o Departamento de Justiça e a Divisão Antitruste dos EUA aprovaram o negócio, desde que o grupo concordasse em ceder a Labatt USA, que comercializa a mais popular cerveja canadense nos Estados Unidos. A InBev manteve o controle da Labatt no Canadá, que agora produz... a Brahma.
Mesmo assim, segundo o Financial Times, a compra só foi fechada porque os contratos já estavam tão amarrados que não houve outra saída além de prosseguir, numa fusão que contraria a tendência atual de prudência e corte de despesas.
O resultado é um grupo que controla 200 marcas de bebidas, emprega 120 mil funcionários no mundo inteiro e tem 36 bilhões de receita anual. Como disse Carlos Brito, o brasileiro diretor-executivo da InBev e grande inspirador da estratégia vencedora do grupo: “Criamos a mais forte e competitiva companhia global do setor, com liderança internacional em portfólio de marcas e rede de distribuição, além de grande potencial para crescimento ao redor de todo o mundo”.
Demais Cervejarias
Belco - A Cervejaria Belco foi fundada em 1983 em Botucatu/SP e instalada onde antes funcionava a Belgium Co., uma cooperativa de produção que reunia os remanescentes da colonização belga na região. A formulação do nome veio da junção das sílabas iniciais da cooperativa. A primeira unidade de produção tinha capacidade para produzir 3.600 hectolitros/ano, comercializados em barris de madeira na forma de chope. Em 1988, a fábrica mudou-se para São Manuel, onde está ainda hoje, e abriu uma segunda fábrica em Cabo de Santo Agostinho/PE. Atualmente, a cerveja é exportada para os EUA, Europa e Ásia. No mercado, encontram-se as marcas Chopp Belco, Belco Pilsen, Tauber, Malzbier Belco, Mãe Preta e Belco Sem Álcool.
Cerpa - A cerveja Cerpa nasceu em 1966 pelas mãos da Cerpasa ou Cervejaria Paraense como também é conhecida. A fábrica foi instalada junto às margens da Baía do Guajará, em Belém/PA, numa área de 157.633 m2. Apesar da forte concorrência de produtos como a Brahma e a Antarctica, a Cerpa conseguiu um bom prestígio a nível interno, independentemente das vendas nunca terem realmente disparado. Procurando diferenciar-se das suas rivais pela qualidade do produto e inovação, a Cerpa apresentou em 1996 o processo Draft Beer, no qual a cerveja não passa pelo tradicional sistema de pasteurização, mas por complexos filtros de celulose e descarga térmica. Atualmente, a Cerpa é líder no estado do Pará e produz a Pilsen Draft Beer e a Export Draft Beer (Cerpinha).
Cervejaria Malta - Em 1956 a cidade de Assis/SP foi escolhida para a instalação da fábrica. O local foi escolhido devido a presença de uma mina d’água, cujas características minerais eram ótimas para produção de refrigerantes. Naquela época, com o nome inicial de Indústria e Comércio de Bebidas Cristalina Ltda, a empresa foi ganhando a preferência dos consumidores. Procurando sempre expandir a área de venda dos seus produtos, a companhia organizou um quadro de distribuidores nas cidades da região, a fim de ampliar a comercialização dos produtos Cristalina. Essa medida triplicou as vendas da empresa no período de um ano. Mantendo o crescimento constante com ações de merchandising e promoções, rapidamente a empresa chegou à marca de 30 mil litros produzidos por dia em 1980. Em 1984, com o lançamento comercial do Chopp Malta (3.600 litros/mês), iniciou-se uma nova fase da empresa. O começo da década de 90 é marcado pela estreia da nova Malta. Em 1996, a denominação social da companhia foi alterada para a atual Cervejaria Malta Ltda., que hoje comercializa: a Malta Pilsen, Malta Malzbier, Malta Golden e o Chopp Malta.
Cervejaria Petrópolis – Em 1993 um grupo de empresários se associou e decidiu comprar algumas máquinas, equipamentos e um terreno perto na rodovia Br 040 - Km 51. Aproveitando o clima ameno da região serrana, a existência de água de qualidade excepcional e fazendo uso dos excelentes conhecimentos de um mestre cervejeiro e da matéria-prima importada de alta qualidade, foi lançada em 1994 a cerveja Itaipava, cuja primeira aparição foi realizada no Shopping Vilarejo. A Itaipava começou a ser comercializada ainda nesse ano e cinco anos depois apareceu com um novo rótulo, mais moderno e de fácil identificação. No entanto, no mesmo ano a cervejaria foi vendida a um novo grupo de investidores, que apostou na aquisição de novas máquinas e na expansão da fábrica. Surgiu um novo produto que teve rápida e boa aceitação no mercado brasileiro: a cerveja Crystal. Com o aumento da demanda e a preocupação em atender aos diversos paladares, a Cervejaria Petrópolis ampliou, em meados de 2004, sua lista de produtos, lançando a Petra - cerveja escura Premium (produzida em Petrópolis) –, e ampliou as linhas da Itaipava e da Crystal com as long neck nas versões Pilsen, Premium e Malzbier e também versões em chope claro e escuro. A Petrópolis inovou ao adotar o selo higiênico - folha fina de alumínio que cobre a parte superior da lata e que tem de ser retirada para permitir a abertura da mesma.
Cintra - Em 1997 o grupo empresarial de origem portuguesa Cintra, lança-se no mercado de cervejas brasileiro. Com atuação em áreas tão diferentes como petróleo, imobiliária, energias renováveis e águas minerais, a companhia viu um bom negócio na aquisição de uma fábrica de cerveja situada em Mogi-Mirim/SP, que pertencia a Kaiser. Com uma capacidade de produção 150 milhões de litros de cerveja por ano só na unidade de Mogi-Mirim, o grupo Cintra prevê continuar a crescer no Brasil, através do lançamento de novos produtos e com aumento da capacidade de produção das atuais fábricas. A conquista do mercado é feita através da Cintra Pilsen, Cintra Escura, Cintra Mulata e Chopp claro e escuro.
Colônia/INAB - Inicialmente designada por Cervejaria Sul Brasileira, a INAB (Indústria Nacional de Bebidas) é uma empresa recente no mercado de bebidas brasileiro, apresentando, no entanto, forte crescimento e expansão. Fundada em 1994 por iniciativa de Jaime Gatto e Saul Brandalise Jr., a empresa de Toledo/PR elabora vários produtos, sendo a cerveja Colônia Pilsen, o de maior destaque. Produz também a Sambadoro - cerveja Premium destinada à exportação -, a Colônia Malzbier, Colônia Negra - cerveja escura tipo Stout, lançada em 2004 -, a Colônia Low Carb, Colônia Extra Lager e o Chopp Colônia. Um dos produtos mais inovadores desta firma é a Donna's Beer – cerveja especialmente voltada para o público feminino, pois possui aroma e sabor delicados, suaves e refrescantes, com uma sensação levemente frutada no paladar final. As garrafas são envolvidas por um rótulo sleeve - sistema de rotulagem plástica - importado da França, em tons de prata e vermelho, com detalhes em flores que se destacam quando expostos à luz negra.
Conti – Em 2001 foi concretizada a ambiciosa parceria entre a Krones - maior fornecedora de máquinas do mundo para o segmento das bebidas - e a Casa di Conti - fabricante do tradicional vermute Contini. O resultado foi o surgimento da Cervejaria Conti. A fábrica tem capacidade de produção de 300 mil hectolitros/ano e produz atualmente a Conti Bier, a Conti Malzbier e o Chopp Conti.
Frevo - A empresa Frevo Brasil Indústrias de Bebidas sediada em Recife/PE, decidiu entrar no mercado das cervejas no início do novo milênio, lançando a cerveja Frevo Pilsen em julho de 2003. Isso representou um investimento de 20 milhões de reais e coincidiu com o sexto aniversário da companhia. A área de distribuição da cerveja incidiu inicialmente na região do Nordeste, sendo que a empresa esperava conseguir controlar 10% desse mercado no final do primeiro ano. Estes objetivos ambiciosos não foram totalmente atingidos, pois em dezembro de 2005, a Frevo apareceu no mercado com uma nova fórmula para agradar ao gosto do consumidor brasileiro.
Germânia - Apesar do nome idêntico, não se deve confundir esta cervejaria com uma que existiu no início do século XX e que, entretanto desapareceu. A atual Germânia foi fundada em 1991 na cidade de Vinhedo/SP e após um início difícil, a contratação de um mestre-cervejeiro e o investimento no desenvolvimento da fábrica fez com que a empresa se tornasse conhecida, especialmente na venda de chopp. Hoje a Germânia responde por 10% do mercado de chopp de São Paulo e prepara-se para obter a mesma performance longe da região Sudeste. Para além do chopp, a Germânia são comercializadas também a cerveja Pilsen e a Escura.
Guitt’s/Refrigerantes Convenção - A Guitt's foi criada em 2001 pelos Refrigerantes Convenção e é uma nova aposta da empresa. A cervejaria tem capacidade instalada suficiente para produzir 300 mil hectolitros anuais. Localizada em Caieiras/SP, a firma produz a Guitt's Pilsen e a Guitt's Malzbier. Mas por que Convenção? Em 18 de abril de 1873, um encontro denominado “Convenção de Itu”, reuniu um grupo de paulistas partidários do derrube da monarquia. Eram, em sua maioria, fazendeiros, comerciantes, profissionais liberais e beneficiários dos negócios da grande lavoura cafeeira. Neste encontro foram propostos novos princípios para a organização do país e lançadas bases do movimento republicano. Foi este grande marco histórico que inspirou a criação da marca Convenção.
Krill - A Cervejaria Krill foi fundada em 1987 e está localizada na Estância Hidromineral de Socorro/SP, a 140 Km da capital paulista, povoação famosa em todo o país pelas suas riquezas naturais e pela abundância de fontes de água mineral. A privilegiada região em que a empresa se localiza é conhecida como "Circuito das Águas" e atrai durante todo o ano milhares de turistas que procuram descanso e contato com a natureza. Em 1994, a cerveja Krill começou a ser produzida quase que artesanalmente, apesar da história da empresa ter se iniciado na década de 50 com a produção de licores e conhaques. Rapidamente passou à elaboração de refrigerantes, nomeadamente o Guaraná Mantovani ou Indião, como é conhecido na região, e que se tornou líder do mercado regional. No início dos anos 80, ainda sob o comando dos Mantovani, a empresa foi vendida a um grupo de empresários paulistas. O início da produção de cerveja resultou da necessidade de lançar um novo produto no mercado. A Krill teve algum sucesso e com ele tornou-se evidente a necessidade de mais investimentos. No início de 1996, a empresa adquiriu uma linha de produção ainda mais moderna, munida de centrais computadorizadas. Mais recentemente foi lançada a Malzbier nas versões garrafa de 600ml e long neck. A empresa comercializa também o Chopp Krill.
Kilsen - A história da cerveja Kilsen começa a 3 de Julho de 1984 com a aquisição de uma pequena engarrafadora de aguardente na cidade de Chapecó/SC. A perseverança e tenacidade dos novos proprietários fizeram com que a fábrica rapidamente atingisse a sua capacidade máxima de produção, se tornado necessário ampliar as instalações. Em novembro de 1987, a empresa transferiu-se para a nova instalação, tendo por objetivo a criação de uma rede distribuidora capaz de satisfazer todo o mercado brasileiro e mesmo alguns países do Mercosul. Atualmente, a companhia produz a Kilsen Pilsen, a Kilsen Chopp, a Kilsen Malzbier e a Kilsen Extra.
Lecker/Worldbev - A Worldbev (antes conhecida por Fornel e Cia.) está no mercado de bebidas há mais de 40 anos (bebidas Boite Show), elaborando produtos tão diversificados como refrigerantes, cervejas, vinhos, chopps, destilados, entre outros. Atualmente, a empresa está instalada numa área de 100 mil metros quadrados, na cidade de Capivari/SP. Possui os mais modernos e sofisticados equipamentos para elaboração e engarrafamento dos produtos e comercializa várias marcas de cerveja, como: Lecker Pilsen, Piva, Prosit, Lecker Malzbier e Lecker Munique.
Lokal/Cervejaria Teresópolis - A Cervejaria Teresópolis, uma divisão industrial da tradicional Bebidas Comary, apostou no início de 2003 no lançamento da cerveja Lokal Bier (que quer dizer "cerveja da nossa terra"). Após investir cerca de 40 milhões de dólares e gerar 480 empregos diretos e indiretos, a Cervejaria Teresópolis tem potencial somente na 1ª fase, para produzir mais de 10,8 milhões de garrafas de 600ml por mês, com perspectiva de ampliar para mais de 24 milhões/mês na 2ª fase (já em andamento). Atualmente, a empresa possui uma rede de 60 distribuidores no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo e São Paulo. Do seu portfólio fazem parte a Ale, a Bock, a Dortmunder, a Ice, a Malzbier, a Munchen, a Weissbier, a Porter, a Stout e a Pilsen.
Spoller/INBEB - A Spoller iniciou suas atividades em Ourinhos/SP, onde é produzida a tradicional cachaça Oncinha. Em 1997, a companhia passou também a produzir a cerveja Spoller e, em uma tentativa de aumentar a capacidade de produção, mudou-se em 2004 para a cidade de Londrina/PR, adotando uma nova designação comercial: INBEB - Industrial Norte Paranaense de Bebidas, Ltda. A firma comercializa as cervejas Spoller Pilsen e Spoller Malzbier.
Cervejarias brasileiras extintas
Alpenbier - A Alpenbier deixou de produzir a sua própria cerveja durante o ano de 2007, permanecendo apenas como restaurante. Era uma pequena fabricante de São Bento do Sul e um caso de sucesso pela região de Joinville. Propriedade de Uwe Stortz, a cervejaria foi inaugurada em 1998 e desde então sua cota no mercado cresceu muito. Nunca teve grandes planos de expansão, pois segundo o dono, "o charme está em não popularizar", defendendo que é a produção artesanal que garante a qualidade geral dos produtos. A Alpenbier tinha chopes diversificados, criados através da adição de sabores à cerveja, como por exemplo, o chope com sabor de morango (misturado ao suco) e sabor de limão (com refrigerante de limão e uma rodela da fruta), para além da pilsen filtrada e não filtrada. A capacidade instalada era um pouco superior a 10 mil litros por mês e não havia uma produção muito grande nem a distribuição para locais distantes devido à ausência de conservantes no produto.
Bebidas Leonardo Sell - Empresa centenária, com sede em Rancho Queimado/SC, começou produzindo cerveja. Com o nome de Cervejaria Rio Branco, a companhia foi iniciada pelo filho de imigrantes, Alfredo Sell, fabricando uma cerveja com o sugestivo nome de Tira-Prosa. Com as sobras da matéria-prima a empresa produzia ainda um refresco não alcoólico, popularmente conhecido por Cerveja-Doce. A fábrica mantém, ainda hoje, uma gestão familiar, mas já não produz cerveja, se dedicando aos refrigerantes, nomeadamente ao seu produto mais conhecido: o Guaraná Pureza (a antiga Cerveja-Doce...). De fato, a Tira-Prosa deixou de ser elaborada em 1954, depois de quase meio século de produção, fruto da forte concorrência então existente.
Cerveja Cavalinho - Caetano Carmignani, natural de Luca, província de Monte Carlo na Itália, chegou ao Brasil em 1887 e foi morara nas proximidades de Pirassununga/SP. Com o decorrer dos anos resolveu criar uma fábrica de cerveja, tendo para isso adquirido um terreno, máquinas e outros equipamentos. Começou a fabricar a cerveja preta Cavalinho, assim como refrigerantes naturais. O patriarca da família faleceu em 1932 e o controle da cervejaria passou aos filhos. A companhia, para além de cerveja, produzia também Gengi-Birra, Cotubaina e vários refrigerantes.
Cerveja Grintzler - A pequena indústria, propriedade do imigrante italiano Antônio Rigotti foi criada em 1899, em Pouso Alegre/MG. A cervejaria tinha um funcionamento bastante peculiar: todas as manhãs o dono buscava água em um chafariz atrás da Catedral da cidade. Com essa água pura e límpida, produzia a cerveja Austríaca. Em 1914, devido à 1ª Guerra Mundial, a empresa alterou o nome da sua cerveja para Grintzler, porém, infelizmente a companhia encerrou suas atividades em 1918.
Cerveja Krulowa - O primeiro iratiense que tentou produzir e comercializar cerveja caseira em larga escala foi o engenheiro agrônomo José Luís Pabis, de 41 anos. Atento à aceitação que a bebida tinha na região, decidiu fazer um teste. Como sua mãe, Bronislava, 68, havia conseguido o 3º lugar num concurso de cerveja caseira em 1995, pediu que ela preparasse 200 litros e distribuiu-os por bares da BR-277, que passa perto de Irati. Depois de três dias, a cerveja já havia acabado. Então, a família passou a produzi-la no fundo da casa. Em 1997, a cerveja foi registrada no Ministério da Agricultura e lançada oficialmente a marca Krulowa. Para evitar a concorrência da produção familiar na cidade, Pabis vendia a bebida em embalagens plásticas de um e dois litros para clientes de Curitiba, Guarapuava, União da Vitória e municípios próximos. O sucesso ficou comprometido, de acordo com o empresário, pelo aumento dos preços, principalmente dos produtos importados, como o lúpulo. Por causa da crise, a empresa que tinha capacidade para produzir 2.400 litros de cerveja caseira por dia e chegou a ter 12 funcionários, além dos parentes, suspendeu suas atividades em 2000.
Cervejaria Atlântica - Fundada em 1901 por Arthur Iwersen, em Curitiba/PR, a Atlântica produzia uma cerveja clara e uma cerveja bock, que tinha um bode no rótulo e era indicada para períodos frios. A Brahma adquiriu as instalações desta cervejaria em 1942, e transformando-a em sua filial paranaense.
Cervejaria da Ponte - Em Palmeira/PR, Germano Ristow, dono de um hotel e de várias carruagens de transporte, decidiu em 1912 instalar a Cervejaria da Ponte. O nome derivava da ponte sobre o rio Monjolo que se localizava nas imediações. Eram produzidas cerveja preta e clara.
Cervejaria de Max Meyer/Cervejaria Brasil - Esta cervejaria estava situada no bairro do Lençol, antigamente chamado de Reichenberg. Foi fundada em 1884 por Joseph Endler, um imigrante austríaco, natural de Marienberg, na Boemia. Durante 24 anos esteve em atividade sob comando do seu fundador, até 1908, ano de seu falecimento. A sua viúva, Alvine Endler, vendeu as instalações da cervejaria. O comprador, Max Meyer, natural da Saxónia, do vilarejo de Crimmitschau, deu seguimento aos negócios e modernizou parcialmente a fábrica. Em 1922 Max Meyer morre prematuramente e a viúva e o filho Luiz dão continuidade ao negócio. Mais tarde mudam o nome de Cervejaria Brasil. Por volta de 1927 a produção de cerveja é encerrada definitivamente.
Cervejaria Feldmann/Kranapel - Criada por Heinrich Feldmann Sénior em 1898, a Cervejaria Feldmann, de Blumenau/SC, foi uma das precursoras da indústria cervejeira no Brasil, fabricando, desde cedo, as cervejas Victória e Bock. Com a morte do fundador, seu filho muda o nome para Cervejaria Kranapel. Em 1960 a indústria deixou de produzir cerveja, seu principal produto e em 1978 encerrou de vez as atividades.
Cervejaria Guarany - A Cervejaria Guarany, de Campo Alegre, desempenhou um papel importante na história das cervejarias da região. Fundada por volta de 1923 por Adolph Friedrich, a cervejaria inicialmente não passava de uma instalação caseira. Na década de 1930 construiu-se um prédio mais adequado para uma produção comercial, existente até os dias de hoje. Nesse local havia uma nascente de água muito boa e que se mostrou excelente para fabricação de cerveja. A Cervejaria Guarany produzia inicialmente só a cerveja preta Kuhlbach ou Porter. Com o falecimento do proprietário, ocorrido em 1947, o negócio passou a ser conduzido pelo filho Ewaldo, que fez diversas associações ao longo do tempo. Por volta de 1955 a empresa muda de razão social para Cervejaria Serrana Ltda., adotando o nome de outra antiga cervejaria de Campo Alegre, que já tinha fechado (na foto). Modernizaram a produção e passaram a produzir três tipos de cervejas: Serrana-Pilsen, Soberana Kulmbach e Malzbier. Com o andar dos anos, a empresa entra gradativamente em dificuldades. No início da década de 1960 a cervejaria descontinua a sua produção própria, passando então a distribuir produtos Brahma. Isso aconteceu até 1993, quando se transformou em um atacado de bebidas, que distribuía produtos de vários fabricantes; negócio que encerrou finalmente em 1998.
Cervejaria Leonardelli - Localizada em Caxias do Sul/RS, a cervejaria produzia as cervejas marca Pérola (nas versões Chopp, Preta, Malzbier, Malta e Extra) e Nanica (cerveja preta). A Cervejaria Leonardelli foi adquirida pela Indústria de Bebidas Antarctica - Polar S.A. que, alguns anos após a aquisição fechou as portas da fábrica.
Cervejaria Polka - A Polka foi criada por Victor Ruschel em Feliz/RS no ano de 1959. A sua fama provem mais do festival que o seu fundador promoveu do que da própria produção da cervejaria. De fato, a primeira edição do Festival do Chope foi realizada a 20 de Abril de 1968, inspirada na popular Oktoberfest de Munique/Alemanha. Ruschel havia viajado ao país no ano anterior e voltou ao Brasil decidido a promover uma festa nos mesmos moldes na cidade de Feliz. Inicialmente, a Cervejaria Polka era designada por Cervejaria Ruschel, passando, a posteriori, a ser a Serramalte e, por último, parte do grupo Antarctica.
Cervejaria Schossland & Hosang/Cervejaria Nacional-Otto Hosang - O fundador da primeira cervejaria, e também a maior, de Blumenau, foi Heinrich Hosang. Natural de Brunswick (Alemanha), chegou em 1858 e abriu a pequena indústria. Na época Blumenau não tinha mil habitantes. A fábrica prosperou, visto que a maioria dos moradores era de origem alemã e grandes apreciadores da cerveja. O fundador esteve à frente da indústria até 1888, quando faleceu e a fábrica foi assumida pela viúva, auxiliada pelo filho Otto, mantendo-a próspera até 1898; ano em que o filho Francisco e o genro Hermann Schossland assumiram a cervejaria, que passou a chamar-se Schossland & Hosang. Em 1906, Hermann deixa a sociedade e Francisco assume a responsabilidade social sozinho. Infelizmente, a Cervejaria Nacional deixou de funcionar em 1923, sendo vendido todo o acervo, material e maquinaria à firma Bock de Nova Breslau (atual Presidente Getúlio).
Cervejaria Serrana - A história da Serrana iniciou-se por volta de 1915, quando João Barbieux e Cia. compraram a pequena cervejaria artesanal de João Corá e a transformaram na Cervejaria Serrana. Logo após a 1ª Guerra Mundial, João Barbieux enviou o seu filho Walter à Alemanha, para realizar o curso de “Químico Cervejeiro”. Em 1925, Walter regressou a Passo Fundo, assumiu a cervejaria e reformulou-a por completo. A produção passou a ser em larga escala e a cervejaria tornou-se responsável pelo abastecimento da região da Serra até Santa Maria. Segundo a viúva do proprietário da antiga Cervejaria Serrana, Leofrida Barbieux, após a chegada de uma enorme caldeira que servia para gerar energia para a fábrica, as casas de todos os empregados que moravam nos arredores também foram iluminadas. Vários funcionários moravam próximos da cervejaria, o que acabou por formar uma comunidade mantida através dela. A chaminé da fábrica, referência preservada até hoje, emitia o apito que despertava a cidade a cada novo amanhecer e ao final de mais um dia cumprido. E assim foi até 1975, quando a Cervejaria Serrana foi vendida para a Brahma. Muitos fatos vieram modificar a estrutura da cidade, nomeadamente com a chegada da indústria, que foi encerrada em 21 de Abril de 1997.
Cervejaria Sul-Riograndense - Fundada pelo Capitão Leopoldo Haerthel na zona do porto em Pelotas/RS, a Cervejaria Rio-Grandense produzia durante a década de 20 do século XIX, as cervejas Peru, Moreninha, São Luís, Preta e Commercial, chegando a ultrapassar a marca das 16 mil garrafas diárias. O crescimento da empresa aguçou o apetite a grandes indústrias cervejeiras, como foi o caso da Brahma, que a comprou em 1944.
Cervejaria Zschoerper - A família Zschöerper tem um envolvimento bastante antigo com as cervejarias históricas de São Bento do Sul. O pioneiro foi Paul Zschöerper, imigrante que chegou ao Brasil em 1883, natural de Wigensdorf, Prússia. A cervejaria foi fundada em 1898 por Paul, que já tinha participado como sócio de Bruno Ryssel, em outra iniciativa no ramo entre 1886 e 1888 e por volta de 1885 tinha sido funcionário na cervejaria do Capitão Adolph von Altrock. Em 1898 Paul Zschöerper estabelece sua própria cervejaria no centro da vila, atual Avenida Nereu Ramos, próximo ao Edifício Bavária. Um dos filhos de Paul, Otto, passou a participar no negócio nos anos seguintes e assumiu definitivamente a gerência em 1909, devido a morte do pai. Na década de 20 adotam o nome de Cervejaria Cruzeiro do Sul. Em 1936, diante da concorrência cada vez maior das cervejas de fora da cidade, a empresa promoveu uma reformulação geral da produção e lançou novas marcas de cerveja “Cometa”, “Porter” (nova fórmula) e “Especial”. Na década seguinte, seriam lançadas as marcas “Princesa” e “Estrela” que ainda hoje estão na memória de algumas pessoas. A fabricação de cervejas continuou até a década de 1950, quando passaram a dedicar-se à distribuição dos produtos da Cia. Cervejaria Brahma, descontinuando a produção própria de bebidas. Foi a última cervejaria dos tempos antigos a encerrar suas atividades em São Bento do Sul. Como distribuidora Brahma, a firma Zschoerper funcionou até 1982.
Chopp Emmery - As Emmery eram fabricadas em Jacarepaguá, numa cervejaria de nome KATIPANO Indústria e Comércio de Bebidas Ltda., onde funcionava também a empresa de consultoria Brewtech Serviços Ltda. As cervejas foram desenvolvidas pelos sócios das extintas empresas Brewtech e da KATIPANO: André Nothaft e Kátia Jorge.
Fábrica de Cerveja de Lucindo Manoel de Brum - Funcionou durante a década de 1820 na Rua Gomes Jardim, 135, em Piratini/RS. O prédio da fábrica, tombado pela Lei Municipal n° 10/1955 e 767/1984, hoje pertence a Roque Amaral. A construção é de origem açoriana e pertencia aos Brum da Ilha da Terceira. Além do valor histórico, atualmente abriga um conjunto de lojas.
Fonte: Cerveja do mundo (www.cervejasdomundo.com); Josimar Melo, ‘A Cerveja’; e Sergio de Paula Santos, ‘Os primórdios da Cerveja no Brasil’.