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CERVEJA ARTESANAL CASEIRA
Já imaginou beber cerveja feita em casa? E fazer sua própria cerveja? Isso desperta a curiosidade de qualquer pessoa, afinal, você não precisaria mais se preocupar com a compra de cervejas ou com a busca da cerveja ideal. Mas será que isso é possível?
Muitas pessoas já produzem sua própria receita. Um grupo de amigos e produtores de cerveja acostumado a fazê-la em casa passou a se reunir para trocar experiências e depois de uma gestação de nove meses nasceu a ACervA Carioca.
Fundada no bar Aconchego Carioca no dia 10 de outubro de 2006, a Associação dos Cervejeiros Artesanais Cariocas tinha por objetivo maior a divulgação da cultura cervejeira, no entanto, buscavam também melhores condições para a compra de insumos e equipamentos.
Tudo isso foi muito bem pensado e analisado. Durante os nove meses de gestação, foram realizados muitos encontros para a degustação das cervejas produzidas pelos primeiros membros. No primeiro encontro, realizado em janeiro de 2006, estavam presentes sete cervejeiros. Embora os encontros fossem marcados apenas a cada dois meses para que pudessem produzir novas cervejas, as reuniões começaram a ser mais frequentes.
“Os encontros eram marcados sempre com um intervalo suficiente pra que produzíssemos novas cervejas para degustação dos amigos. Queríamos o comentário, as impressões uns dos outros sobre as nossas cervejas. Fomos ficando cada vez mais amigos e embora os encontros bimestrais fossem pra levarmos as cervejas por nós produzidas, nos encontrávamos semanalmente pra trocar idéias e degustarmos umas cervejinhas, entre caseiras e comerciais”, conta Leonardo Botto, um dos primeiros integrantes.
Os primeiros encontros eram realizados na casa dos integrantes ou em alguns bares de cervejas especiais, até que no quinto encontro conheceram o Aconchego Carioca, onde fundaram a Associação, já no encontro seguinte. A partir daí o Aconchego virou o QG da ACervA Carioca e passou a abrigar as reuniões informais da mesma. “Começamos a nos reunir semana sim, semana não no Aconchego, que permitia levarmos nossas cervejas e tinha uma deliciosa comida”, revela Botto.
Se você ficou interessado e já está pensando ‘pena que não sei produzir cerveja’, não desanime. Para fazer parte da ACervA não é necessário produzir cerveja, isso porque eles objetivam “divulgar a cultura, ensinar as pessoas a fazer cerveja ou a beber melhor, descobrindo o universo possível da cerveja caseira e artesanal”, explica o cervejeiro Botto.
Mas não é simplesmente chegar lá e dizer que quer ser integrante. É preciso ser aprovado pela diretoria da associação que deseja saber as intenções de cada um e se os futuros integrantes comungam do mesmo espírito que a ACervA. “Para ser um associado, basta ter vontade e ser apaixonado por cerveja”, complementa Botto.
Embora não precise saber produzir cerveja, os novos integrantes são sempre incentivados a produzirem sua própria cerveja. Mas pode ficar tranquilo, é muito fácil se contagiar pelo clima de cerveja caseira e amizade existente na ACervA e querer começar logo a produzir sua cerveja e ainda compartilhar com os associados.
Além das produções próprias dos integrantes da associação, existem cervejas que foram produzidas em conjunto – as chamadas ‘levas coletivas’. A última leva coletiva da ACervA Carioca foi feita para a Brasil Brau deste ano. “A Associação comprou os insumos para os associados, propaguei dois tipos de fermentos pra quem quisesse produzir e fizemos um mini concurso entre nós, sendo que a receita ganhadora seria produzida em uma leva coletiva que seria levada para a Brasil Brau. A vencedora foi a cerveja do Maurinho”, revela.
Já deu até vontade de participar só de imaginar o clima e uma cerveja produzida por você, mas está pensando que é um pena não morar no Rio de Janeiro? Então não desanime, pois não existe apenas a ACervA Carioca. A ideia deu tão certo que muitos apaixonados por cerveja espalhados pelo Brasil a fora resolveram seguir o exemplo, surgindo assim muitas outras associações.
Já existe ACervA no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia, além do Rio de Janeiro. Isso sem contar a ACeRvinha de Ribeirão Preto/SP e a ACervAço, do Vale do Aço/MG. A formação dessas ACervAs foi auxiliada pelos associados do Rio de Janeiro, que contribuíram com experiências e o estatuto, entre outras coisas. A ideia é que esse movimento de cervejeiros caseiros continue crescendo, que novas ACervAs surjam e que, em breve, assim como o previsto pelos associados das ACervAs citadas acima, seja criada a ACervA Nacional.
Isso não está muito longe de acontecer, já que existe um excelente relacionamento entre as ACervAs estaduais através do e-group formado pelas diretorias e dos encontros presenciais. Além dos encontros e da busca por cervejas melhores e troca de informações, as ACervAs realizam anualmente um concurso de cerveja artesanal – confira o de 2009 na edição 6 da Beer Life. A sede do evento é rotativa, sendo realizado cada ano em um estado e por uma ACervA diferente. (M.P.)


CERVEJA ARTESANAL: FAÇA A SUA!!

O número de pessoas que busca fazer sua própria cerveja em casa está cada vez maior. Mas como fazê-la? 

por Henrique Pires*
Melhor que tomar uma cerveja gostosa em um consagrado botequim com os amigos é chamar esses inseparáveis companheiros para tomar cerveja na sua casa... E adivinhe: feita por você!
Cada vez mais um número crescente de aficionados por cervejas está indo para o fogão cozinhar a iguaria. Os chamados cervejeiros caseiros, cervejeiros artesanais ou, ainda, homebrewers, reúnem-se em grupos ou associações (as AcervAs) para trocar ideias, dicas e truques para desenvolver saborosas receitas. O processo de ingresso em uma associação é bastante simples, mas a arte do fabrico é algo que se conquista com o tempo e inclui carinho, dedicação e uma boa dose de paciência, uma vez que a cerveja é fabricada por um conjunto de ingredientes que são misturados às leveduras - seres vivos que precisam de um bom ambiente, atenção e cautela.
Inicie a sua produção por meio da pesquisa. Nada mais importante que entrar na internet, conhecer alguns livros sobre o assunto e até procurar amigos que já fabricam cervejas em casa ou aqueles que conhecem alguém que já desenvolve cervejas. Leia bastante sobre o assunto, descubra técnicas, desvende curiosidades, empolgue-se.

Equipamentos básicos
Passada esta fase, vá em busca de pequenos equipamentos que, apesar de básicos, são fundamentais para produzir a sua primeira cerveja. Os principais itens são: um fogão ou fogareiro, um moinho para moer cereais, uma balança, duas panelas (em aço, alumínio ou esmaltada) com capacidade acima de trinta litros, um fundo falso, uma boa colher de pau ou de inox, um schiller ou trocador de calor, mangueiras e conexões para schiller e para sifonar; um termômetro alimentício, tampinhas metálicas, uma tampanadora e garrafas; um densímetro, um balde fermentador com capacidade acima de vinte e cinco litros, um balde com torneira para envase de garrafas e um airlock. A maioria desses produtos é encontrada em mercados centrais e distritais e em pequenas empresas de materiais para laboratórios. Adicionalmente, muitos cervejeiros caseiros adquirem uma geladeira usada e adaptam-na a um termostato para controle de temperatura para que possa ser usada nas fases de fermentação e maturação da cerveja. O custo fixo médio para a aquisição destes materiais pode variar de 700 a dois mil reais, dependendo do grau de sofisticação dos equipamentos.
Não se esqueça dos insumos de assepsia, como detergentes, álcool '70' e ácido peracético, além dos ingredientes básicos para a elaboração de sua receita: água de boa qualidade, malte, lúpulo e levedo.

Espaço físico
A princípio, os cervejeiros artesanais não se preocupam com espaço físico para a montagem inicial de suas “cervejarias”; e você deve proceder da mesma forma! A sua fabriqueta pode surgir bem na sua cozinha e terminar na dispensa de sua casa. Há muitos que executam as partes da brassagem e da fervura nesse primeiro ambiente e, após esfriar o mosto e adicionar o levedo no balde de fermentação, acondicionamo-lo na dispensa ou em algum outro cômodo mais frio da casa, longe de raios solares. Este procedimento é muito importante para não “estressar as leveduras”, formando assim uma boa fermentação e posterior maturação. Com o passar do tempo, e com o aumento da produção, os cervejeiros buscam melhores condições para manutenção de suas “bateladas” (lotes de produção) - seja por meio do uso de geladeiras, seja por meio do uso de ar condicionado alocado em pequenos ambientes.

Onde Encontrar

Se você já tem o espaço para a fabricação e o conhecimento necessário, deve estar se perguntando onde encontrar os equipamentos e os insumos. Há empresas conceituadas e idôneas no mercado que atendem os pequenos fabricantes com a mesma atenção dispensada aos 'Golias' do mercado. Os insumos podem ser encontrados em Porto Alegre na WE Consultoria – Insumos Especiais; em Campinas, com ‘A Turma - Cerveja Artesanal’ e, no Paraná, na Agromalte - Cooperativa Agrária Agroindustrial de Guarapuava. Já os equipamentos podem ser adquiridos na ‘Mec Bier Equipamentos’, em Pompéia/SP, na ‘SOS Laboratório Ltda.’ e com Danilo Mendes do Curso de Fabricação de Cervejas em Belo Horizonte.
Vá em frente! Há muito trabalho na arte de fazer cervejas e o resultado não pode ser melhor: é a soma do prazer de fabricar com a vontade de celebrar com os amigos. Cada garrafa aberta é uma experiência lúdica, retrato do carinho e dedicação a sua cerveja. A arte de fabricar cervejas pode começar em casa. Divirta-se!

*Henrique César Pires de Oliveira é presidente da AcervA Mineira (Associação dos Cervejeiros Artesanais de Minas Gerais).

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