

O tour de bares desta edição sai do estado e chega na capital do queijo mineiro. Os bares de Belo Horizonte foram os escolhidos para a visita da redação.
FREI TUCK SLOW BEER
Depois de muitos anos trabalhando com o mercado cervejeiro, Luiz Flávio Ferreira percebeu um crescente interesse pelas cervejas especiais e transformou o antigo República do Café no atual Frei Tuck Slow Bier, um bar especializado em cultura cervejeira.
No início os clientes não queriam pagar mais pelas cervejas, mas o trabalho foi bem feito e hoje o bar é um sucesso. “Inicialmente, foi difícil convencer os clientes a experimentar cervejas com valores mais altos, mas ao longo desses três anos, criamos eventos, degustações, harmonizações, festas relacionadas a datas cervejeiras, cursos de degustação e fabricação de cervejas”, conta Luiz Flávio.
A casa virou referência em cervejas especiais, tanto que o Movimento Slow Bier Brasil teve seu lançamento no Frei Tuck. Dentre 150 rótulos de diversos países podemos encontrar cervejas para todos os estilos e paladares. No entanto, o objetivo dos proprietários não é transformar a casa em uma revenda de cerveja, mas sim, um local para a promoção da cultura cervejeira.
Por isso a brigada é treinada por meio de degustações comentadas promovidas pelos fornecedores. “As degustações são realizadas sempre que recebemos uma nova cerveja e para reciclagem dos conhecimentos sobre os rótulos já comercializados na casa”, explica Luiz Flávio.
O bar, como toda casa especializada em cerveja, recebe pessoas que já tem certo conhecimento sobre o assunto, assim como novatos. Estes costumam ser ‘catequizados’ no Frei Tuck e se tornam clientes fieis.
A expectativa é que a casa continue crescendo assim como a cultura cervejeira. Os proprietários não pretendem aumentar o número de rótulos comercializados, mas sempre atualizar os já existentes para que haja boas opções nos mais variados estilos.
RIMA DOS SABORES
Inusitado é a palavra correta para este local! Um restaurante de carnes de caça, cervejas especiais e decorado com objetos recicláveis: essa é a proposta do Rima dos Sabores. Em funcionamento há apenas três meses, a casa surgiu do sucesso dos churrascos exóticos realizados pelo proprietário Juliano Caldeira.
Juliano tinha feito um curso de harmonização de cerveja com gastronomia no Frei Tuck Slow Bier e decidiu investir nas cervejas especiais como outro diferencial da casa. A combinação deu certo. Tanto que segundo o proprietário, nesses três meses em funcionamento eles já alcançaram o que era previsto para os primeiros seis.
A carta de cerveja com 35 rótulos foi montada buscando uma harmonização com as carnes exóticas servidas no local. Carnes de jacaré, javali, búfalo, avestruz, e outras raridades formam 70% do cardápio do Rima dos Sabores.
Como o restaurante está localizado em um bairro residencial há apenas som ambiente. No entanto, a restrição aos shows trouxe outra característica exótica à casa: apresentações circenses. Isso mesmo. Palhaçadas, malabarismos, mágicas e recitais de poesias fazem parte das atrações realizadas por uma trupe de circo todas as sextas-feiras.
No mês de novembro foi realizado o primeiro curso de harmonização de cerveja com gastronomia no restaurante. A ideia é realizar um curso por mês e alguns cursos de produção de cerveja caseira. “Pretendo aumentar a carta de cerveja até aproximadamente 150 rótulos. Quero virar referência em cervejas especiais assim como o Frei Tuck e o Haus München”, revela Juliano.

PALADINO RESTAURANTE
Inaugurado há oito anos, o restaurante Paladino está localizado dentro de uma fazenda repleta de área verde, animais e diversas formas de lazer para as famílias. Trabalhando com cervejas especiais há cinco anos a casa já é referência no segmento.
Tudo começou por meio de uma parceria com a microcervejaria mineira Falke Bier e a comercialização do chope artesanal da fábrica. A parceria deu tão certo que hoje a casa já serve aproximadamente 30 rótulos entre nacionais e importadas. Segundo Marcelo Haddad e os demais proprietários da casa, no início a procura e a aceitação eram mais difíceis pelo custo do produto e pela falta de conhecimento da cultura cervejeira. “Hoje a procura parte do próprio cliente que tem mais acesso aos produtos, tanto nos restaurantes quanto em supermercados”, informa.
No entanto, Marcelo diz que é necessário um trabalho constante da brigada. “Tem que haver sempre uma sugestão das cervejas e trabalhar a venda destes produtos na mesa”, explica Marcelo.
Além do bom trabalho da brigada e de estar localizado em um ambiente tranquilo, o Paladino tem ainda a presença de bandas de MPB todas as noites de sexta-feira e sábado. No restaurante há ainda a premiação de copos para os clientes que consomem determinadas cervejas e alguns cursos de fabricação de cerveja realizados em parceria com a ACervA Mineira.
A casa já chegou a ter mais de 40 rótulos, mas os proprietários preferiram diminuir um pouco a quantidade e trabalhar mais detalhadamente cada um dos parceiros. “Estamos dando preferência para as cervejarias mineiras”, revela Marcelo.
HAUS MÜNCHEN
Um bar tradicional da capital mineira, referência há 42 anos, passou por inovações em 2003, ano em que Rodrigo Ferraz adquiriu o bar e decidiu adicionar um diferencial à tradição da casa: cervejas especiais.
As cervejas vieram para completar uma associação comum de que em restaurante alemão sempre se encontram boas cervejas. “A ligação entre a temática do restaurante juntamente com a percepção apurada do Rodrigo em antecipar uma tendência de valorização da cerveja como uma bebida de qualidade foram o incentivo para a inovação”, explica Rafael Mantesso, gerente de marketing.
No início a procura dessas cervejas especiais se deu pela curiosidade dos clientes. “É bom quando as pessoas se dispõem a experimentar coisas novas”, revela Rafael. O Haus München é uma referência em cerveja na capital mineira, tanto que a Confraria de Cerveja Feminina, a CONFECE, foi fundada no bar e surgiu de uma ideia do Rodrigo de presentear algumas mulheres com uma degustação no dia internacional da mulher. Desde então, as meninas presenteadas com a degustação se reúnem no bar todo mês para degustar e discutir.
Além da grande variedade de rótulos, um ótimo serviço da brigada e uma confraria feminina, o bar conta ainda com certas peculiaridades. Constantemente chegam ao Haus München as cervejas mais badaladas no mundo com exclusividade. Um bom exemplo é a Papst Bier - cerveja do Papa, produzida na cidade natal de Bento XVI e que foi tirada do mercado por não ter autorização do pontífice - ou a Samuel Adams Utopias - cerveja raríssima, produzida em edição limitada e que entrou para o Guinness Book como a cerveja mais forte do mundo, 28% de teor alcoólico.
CAFÉ VIENA
O Café Viena é mais um bar que mostra o crescimento do mercado de cervejas especiais no Brasil. Inaugurado há dez anos, os proprietários Ingrid Chlad Paulinelli e Wellerson Fiuza Paulinelli resolveram investir em algo que pudesse agregar ainda mais sabor ao restaurante e optaram pelas cervejas especiais.
A casa austríaco-alemã foi fundada com a proposta de dar continuidade às tradições e receitas da família Chlad, autênticos austríacos de Viena. Alocada em um sobrado, o café é todo decorado no estilo austríaco. No cardápio estão cerca de 150 iguarias dos consagrados pratos alemães e austríacos, assim como da culinária internacional e brasileira.
A casa incorporou de tal maneira a cultura cervejeira que possui cervejas de aproximadamente 22 países, das quais as mais vendidas são as belgas e alemãs. Além delas, os proprietários estão impressionados com o crescimento das artesanais brasileiras e decidiram comercializar uma marca própria, batizada de Viena Bier – uma cerveja do tipo Pilsen, produzida com três tipos de malte, dois lúpulos, que fica 38 dias maturando e tem 5% de teor alcoólico.
O Café Viena também investe em cultura cervejeira. “Queremos que o cliente sinta a diferença entre degustar e beber cerveja, mostrando que não é a quantidade que traz a satisfação, mas sim a qualidade e o sabor que cada uma oferece”, revela.
O mercado de cervejas tem crescido tanto que mais uma vez os proprietários da casa decidiram inovar. Em breve vai ser inaugurado ao lado do Café Viena um armazém para comercializar os produtos – cervejas e comidas – presentes no cardápio do bar. “A ideia é que os clientes levem para casa as delícias que encontram no Café Viena”, conta Ingrid.
KRUG BIER
Há doze anos Theo Dimitrius e seu sócio, Herwing Gangl, abriram uma microcervejaria no formato das européias e norte-americanas em Belo Horizonte; ou seja, uma choperia junto à fábrica. Théo não entendia nada sobre cervejaria e o austríaco Herwing, por sua vez, não conhecia nada sobre choperia. Decidiram unir a paixão, os saberes e o sonho deles e abriram um brewpub.
A demanda foi tanta que construíram uma unidade industrial para a produção das cervejas. O bar continua existindo,mas ficou muito grande e o transferiram para um espaço menor e mais bem localizado onde funciona há um pouco mais de um mês.
A casa comercializa os chopes Cristal (Pilsen), Krug (Pilsen não filtrado), Amber, Golden Ale e a Weiss Bier em garrafa, todos produzidos por eles. “A única que não vendemos em chope é a Weiss porque ela tem um depósito de fermento no fundo da garrafa e um ritual de serviço que favorece a cerveja. Acreditamos que este não deve ser quebrado”, informa Theo. Há dois anos a Áustria Bier, cerveja produzida pela Krug Bier, já é comercializada na capital mineira. Os proprietários já fizeram uma tentativa de venda no Distrito Federal, mas faltava volume de produção. Agora a capacidade de fabricação está bem maior e estão inserindo a cerveja timidamente no mercado de São Paulo e Rio de Janeiro.
Se você mora em Belo Horizonte e ficou com vontade de provar o chope da Krug Bier, mas está sem tempo para ir à choperia pode ficar tranquilo. Eles tem um sistema delivery: é só ligar e o chope chega na sua casa na hora marcada.
A perspectiva é aumentar o delivery para São Paulo e Rio de Janeiro e engarrafar o chope Golden Ale no início do próximo ano. Além disso, os proprietários pretendem comercializar na casa algumas cervejas dos cervejeiros caseiros da ACervA Mineira.

MAMÃE BEBIDAS
Já imaginou parar em um posto de gasolina para abastecer e de repente se deparar com uma ‘conveniência’ repleta de cervejas especiais? Pois é exatamente isso que aconteceria se você fosse abastecer no Posto da Mamãe em Belo Horizonte. Vendendo cerveja desde a Copa do Mundo de 1998 para atrair clientes ao posto, a proprietária, Ana Carolina Patrus, decidiu investir no segmento devido ao crescimento das vendas, e o que era apenas um diferencial, se tornou um segundo negócio: o Mamãe Bebidas.
O negócio deu certo. A procura pelas cervejas especiais aumentava a cada dia e levou Ana Carolina a investir no segmento das especiais, no entanto, “mantendo o mesmo foco inicial: variedade, serviço e preço competitivo”, informa a proprietária.
Com o tempo, o público que frequentava o posto de gasolina e comprava cerveja no Mamãe Bebidas foi mudando. A clientela pequena e restrita a um público masculino específico; passou a ser de pessoas jovens, de ambos os sexos e que sabem diferenciar a cerveja industrial da especial e apreciar esta última.
A ‘conveniência’ cresceu tanto que conquistou uma clientela fiel. “Pessoas que, em virtude do nosso foco – variedade e preço competitivo – frequentam assiduamente o Mamãe Bebidas, em especial os associados da ACervA Mineira. Além disso, há uma procura muito boa pelas cervejas mineiras e que vem aumentando consideravelmente”, revela Ana Carolina.
A proprietária do posto investiu no setor com a finalidade de reerguê-lo, acabou encontrando nele um diferencial e um importante negócio que trabalha com aproximadamente 380 rótulos de cerveja. Ana Carolina acredita que com a mudança do perfil do consumidor, resultante do aumento do poder aquisitivo e do conhecimento, a cerveja começa a ser vista como uma bebida gourmet e que isto vai proporcionar um crescimento considerável do setor. “Cabe a nós promover a aculturação do consumidor para que a cerveja especial conquiste cada vez mais adeptos”, fala Ana Carolina confiante.
