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A criação da CERVEJA SEM GLÚTEN deu aos portadores da doença Celíaca o direito de degustar uma 'cervejinha'.


É desconhecida da maioria da população a existência de uma doença que proíbe o consumo de qualquer produto que contenha glúten. Retira-lo do cardápio pode parecer uma tarefa fácil, mas não é tão simples assim, pois o glúten está presente em quase todos os produtos.
Os portadores dessa doença, conhecida como Celíaca, não podem consumir nenhum produto que tenha trigo, aveia, cevada, centeio e seus derivados; ou seja, pão, massa, doces, entre outros. Assim, para um apaixonado por cerveja, o primeiro produto que vem à mente é a restrição ao consumo da bebida.
Realmente, até pouco tempo atrás, degustar uma boa cerveja era algo fora de cogitação para qualquer celíaco, mas o crescimento do diagnóstico da doença e o consequente crescimento do mercado levou ao surgimento da primeira cerveja sem glúten.
mercado2.jpgDepois de intensas pesquisas pelos laboratórios associados às empresas cervejeiras em busca de um produto 100% livre de glúten e sem o menor risco de contaminação, surgiu a cerveja que veio de encontro com a necessidade dos celíacos. No início, foram criados processos de filtragem do glúten, o que originava cervejas de baixo teor da proteína, mas que não eram, em sua totalidade, seguras para os doentes celíacos. Hoje, já há no mercado cervejas totalmente sem glúten e seguras para os portadores desta doença.
Produzida com água, lúpulo, fermento e cevada - ou trigo - a cerveja era restrita aos celíacos. A solução encontrada foi a substituição da cevada ou do trigo por trigo-mourisco ou sorgo. Depois dessa descoberta, a dificuldade passou a ser tornar a cerveja suficientemente saborosa para os consumidores.
Assim como a legislação das cervejas sem álcool, a das cervejas sem glúten também varia entre os países. No Reino Unido uma cerveja é considerada gluten free quando tem menos de 20 partes por milhão de glúten (20 ppm); já na Austrália essa designação é aplicável apenas para cervejas que não contêm nenhuma quantidade detectável de glúten.
Nos últimos anos têm surgido inúmeras cervejas sem glúten, o que é perceptível por meio das vendas e dos acontecimentos que têm acompanhado seu desenvolvimento como, por exemplo, a realização do 1º Festival Internacional de Cerveja sem Glúten, que ocorreu em Chesterfield, Reino Unido, no ano de 2006 e que teve o apoio da CAMRA (Campaign for Real Ale). Outros exemplos do crescimento deste mercado são as lojas online que só vendem produtos sem glúten e um livro que elenca vinhos, cervejas e bebidas destiladas que podem ser consumidos pelos celíacos: o Clan Thompson 2007 Celiac Pocket Guide to Gluten-Free Beers, Wine & Spirits. No entanto, a distribuição ainda se restringe essencialmente aos EUA, Reino Unido e Austrália.

PANORAMA BRASILEIRO
Estima-se que quase 1% da população seja portadora da doença Celíaca e, embora a maioria não tenha sido diagnosticada, este número vem aumentando significativamente. Nos Estados Unidos a taxa de diagnóstico da doença quadruplicou de 1950 para cá o que mostra que ser celíaco não é mais uma condição rara.
mercado3.jpgSegundo previsão da ONU (Organização das Nações Unidas), em 2010 a população da cidade de São Paulo será de quase 20 milhões. Segundo um estudo europeu*, um em cada 200 paulistanos é celíaco. Sendo assim, no próximo ano haverá quase 100 mil portadores da doença na cidade e, portanto, proibidos de consumir glúten; embora nem todos sejam – ou serão – diagnosticados.
Mesmo com o número de celíacos crescendo devido ao aumento dos diagnósticos, no Brasil há ainda apenas uma cerveja disponível para esse grupo. A espanhola Estrella Damm Daura foi lançada em novembro de 2006 depois de muitos estudos frutos da parceria entre a Cervejaria Damm e a entidade pesquisadora vinculada ao ministério da saúde na Espanha, o Council of Scientific Research.
Iron Mendes, da BrazilWays, diz que decidiu importar a Estrella Damm Daura, pois era uma possibilidade de oferecer uma cerveja a um público carente de opções. “Entre 1% e 3% da população tem indisposição ao glúten e até então, no Brasil, essas pessoas não podiam apreciar uma cerveja”, explica Iron. Na primeira importação, a empresa trouxe um lote pequeno apenas para testar. Este lote acabou em duas semanas. “A divulgação foi sempre no boca a boca e as vendas são excelentes, o que prova a carência do mercado e o desejo dos celíacos em degustar uma cerveja, assim como as demais pessoas”, revela Iron. O mercado não é pequeno. Existem centenas de casas especializadas para celíacos em todo Brasil, além de seções de supermercados dedicadas a esses produtos. 

ESTRELA DAMM DAURA
Cerveja do estilo Pilsen e com teor alcoólico de 5,4%, a Estrella Damm Daura foi premiada no WBA 2009 (World Beer Awards) e tem menos de 6 ppm (parte por milhão). A recomendação para celíacos em diversos países é a de que, para ser considerado ‘sem glúten’, um produto deve ter menos de 20 ppm.
A Daura Damm possui as mesmas propriedades que as cervejas normais, porém passa por um processo em que o glúten é degradado, tornando-se apropriada para o consumo por celíacos. (M.P.) 

*Oliveira et al. High prevalence of Celiac Disease in brazilian blood donor volunteers based on screening by IgA anti-tissue transglutaminase antibody. European Journal of Gastroenterology and Hepatology 19, 200

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